Rolou uma química ao vivo

Estadão

19 Fevereiro 2008 | 13h00

MCR

Ah, como é bom ver uma banda ao vivo no auge da carreira…

Nem sou fã do My Chemical Romance, mas gostei de vê-los ao vivo ontem no Via Funchal. Sim, eu estava trabalhando. Mas teria ido mesmo se não estivesse. Gosto de ver boas bandas ao vivo, e o MCR… é uma ótima banda. Principalmente as canções do disco ‘Black Parade’, uma espécie de ‘Sgt. Peppers’ dos emos.

(Foto: Paulo Pinto/AE. Veja o vídeo do show na TV Estadão)

Aliás, não sei por que os emos não gostam de ser chamados de emos. O MCR é a maior banda emo do mundo, o show estava cheio de emos… e você pergunta se algum deles é emo, a resposta é sempre a mesma: “Emo, eu? Deus me livre!”

Não entendo isso. Quando eu era adolescente, tinha orgulho de dizer que era ‘heavy’, ‘metal’, ‘roqueiro’, ou sei lá, qualquer outro rótulo que me davam na época.

Voltando ao show, fiquei impressionado com a baixa faixa etária do público. A maioria, mesmo, era formada por garotas e garotas de 13 a 16 anos, mais ou menos. Achei isso legal, até porque havia muitas famílias por lá. Gostei de ver os pais curtindo o show ao lado dos filhos. Ser jovem e não gostar de rock é como ser velho e não gostar de jazz: você errou em algum lugar do caminho.

Abaixo, apesar de saber que alguns vão reclamar e dizer que sou preguiçoso, reproduzo um texto que publiquei em outubro em homenagem aos emos – e estendo a homenagem aos fãs do My Chemical Romance:

Deixem os Emos em paz

Faz tempo que quero defender uma turma que tem sido agredida por todos os
lados: os Emos. Emo é o apelido carinhoso do estilo musical Emotional
Hardcore, ou ‘porrada sensível’. Resumindo: os Emos são barulhentos, mas têm um bom coração.

Todo mundo fala mal desses adolescentes que só se vestem de preto, usam
maquiagem e ‘choram’ nas músicas. Não sou Emo (tenho idade para ser pai de algum, no máximo), mas essas críticas me incomodam. Deixem os Emos em paz! Eu já fui um adolescente de cabelo comprido e agüentei muita gozação porque era da tribo do heavy metal. Eu odiava uma canção que fazia sucesso na época, ‘Os Metaleiros Também Amam’. Hoje vejo que a letra era até divertida. Engraçado como o mundo muda quando a gente cresce.

Triste, porém, é ver que muitos que já pertenceram a alguma tribo do rock
(Hippies, Darks, Punks) fazem piadinha do visual dos Emos. Deve ser saudade dos “velhos tempos”, quando também passavam a tarde toda falando das suas bandas favoritas.

Fazer parte de uma tribo na adolescência é a coisa mais normal do mundo. Os Emos têm um visual meio estranho? Eu também acho. Há Emos meio exagerados? Provavelmente. Assim como há alguns fãs de samba, tecno, MPB… ou empresários, atores, jornalistas. Todo mundo pertence a alguma tribo. E nenhuma é melhor do que a outra. É apenas diferente.

Outra coisa que me incomoda: será que alguém que fala mal já ouviu uma banda Emo? Porque se a garotada gosta tanto, eles devem estar fazendo alguma coisa certa, não? Acho que a crítica – e eu me incluo aí – deveria saber que não adianta elogiar um disco de jazz para um garoto. Além disso, bandas Emo como Panic! At the Disco e My Chemical Romance têm ótimos discos. Conclusão: há bandas de Emo boas e bandas de Emo ruins. Como em todos os estilos, aliás.

Mas e se o Emo for só um modismo? Sem problemas. Ele é. E só vai voltar à
moda daqui a 20 anos, quando será considerado cult. A música anda em ciclos: os adolescentes que hoje são Emos serão os críticos de rock do futuro e certamente vão falar bem sobre o estilo. Só espero que não falem mal da nova tribo que estiver chegando.