Reality freak shows

Estadão

16 Fevereiro 2007 | 13h07

Newyork

Como ainda não chegaram por aqui, queria falar um pouco sobre alguns programas da TV americana que tive a chance (e a coragem) de assistir enquanto estava por lá.

Para começo de conversa, a TV americana está tomada pelos reality shows. Esqueça os Big Brothers: lá o negócio é muito mais bizarro. Meus preferidos:

‘I Love New York’: Uma mulher de uns 20 e poucos (foto acima), meia boca e extremamente mala, quer ‘se apaixonar’. Doze manés se candidatam e passam a viver numa casa para realizar diversas tarefas e competir pelo amor dela. Detalhe: as ‘juradas’ são a própria New York (todos usam apelidos) e… a mãe dela. Segundo um dos próprios participantes, a velha é um monstro (fora que ela é a cara do Darth Vader… sério). As provas valem a pena porque são muito engraçadas. Em uma delas, os participantes têm que dizer como pensam em ‘sustentá-la’. É isso mesmo: eles vão para um pequeno palco e apresentam planos e gráficos mostrando quanto pretendem ganhar em X anos, etc. É muito constrangedor. Quem ganha uma das provas tem direito de levar New York para jantar (uma ‘date’). Só para se ter uma idéia, um dos caras disse que era milionário e, como boa americana/interesseira, foi escolhido para jantar. Então a mãe-carrasca checou a conta do banco dele e viu que o cara era um ‘looser’ e estava quebrado. Aí a New York eliminou o participante. Outras provas: Campeonato de arremesso de basquete (para saber se são saudáveis). Massagem nos pés da New York (para saber se srão sexies). Acompanhar a mãe da New York (uma maluca) à missa (para saber se são religiosos). Brincar com crianças (para saber se serão bons pais). E por aí vai.

Outro reality favorito deste blog é o ‘Armed and Famous’. Esse é inacreditável. Um grupo de artistas decadentes (entre eles Erick Estrada, o Pontirello, do ‘Chips’, e a Latoya Jackson, irmã do Michael) entra para a polícia (sério) de uma pequena cidade da Califórnia e sai junto com ‘cops’ de verdade para fazer umas blitze e prender umas pessoas. Capítulos seguintes: Latoya se fantasia de prostituta e prende uns caras que se masturbam dentro do carro. Pontirello fica bravo quando um bêbado xinga a mãe dele e bate no cara (e ainda leva uma bronca humilhante do chefe de polícia). Não sei como a polícia deixou esse show acontecer. Surreal e constrangedor, porque os artistas decadentes acham que este reality é sobre a fama deles.

Outro programa bem legal é o reality show que mostra a vida de Hulk Hogan, um famoso lutador de Wrestling (aqueles palhaços americanos que chegaram a ser imitados aqui pelos toscos ‘Gigantes do Ringue’). O cara é um milionário e vive numa mansão em Miami, mas é um semi-analfabeto com um filho que quer ser piloto de fórmula Nascar (e não consegue), uma filha ultra-vulgar que quer ser cantora (e, aparetentemente, consegue) e uma mulher que parece ex-ex-miss da Festa do Caqui. Fora os amigos, todos uns brutamontes sem cérebro e que passam o dia tomando cerveja e dando socos uns nos braços dos outros. É muito engraçado porque Hulk Hogan e os amigos não percebem que é um programa humorístico não-intencional. A ver.