Rambo 4: Homem-Guerra

Estadão

12 Fevereiro 2008 | 14h55

rambo

“Ser ou não ser… uma cobra, eis a questão.”

(Stallone, numa das cenas em que ele contrancena com uma cobra. Um duelo de atuação bastante equilibrado, diga-se de passagem)

Quando o primeiro filme do Rambo (‘First Blood’), chegou ao cinema, eu tinha 12 anos. Era 1982 e minha mãe tinha acabado de comprar um vídeocassete. Meus amigos faziam fila na minha casa para ver as aventuras daquele ex-soldado revoltado que detonava tudo e matava todos os inimigos.

Depois, quando chegou a época de ‘Rambo II’ e ‘Rambo III’, o herói começou a perder a graça, pelo menos para mim. Outros personagens igualmente sanguinários (alguém se lembra do Braddock, personagem do Chuck Norris, ou do próprio Exterminador, do Schwarzenegger?) surgiram no pedaço e o próprio Stallone começou a investir em outros papéis mais ‘ambiciosos artisticamente’, como… Cobra, Rocky 18, etc.

Quando recebi o convite para assistir a ‘Rambo 4’, fiquei meio receoso. Gosto de filmes de ação (como todo homem), mas desde que não sou adolescente não acho mais muito interessante passar duas horas vendo gente explodindo, sangue jorrando e gargantas sendo decepadas. Mesmo assim, aceitei e fui à cabine antes da estréia.

‘Rambo 4’ é um filme legal, principalmente porque você entra no cinema sabendo exatamente ao que vai assistir. Se o seu negócio é cinema francês, fuja como o diabo foge da cruz. Mas se o seu negócio é ver heróis americanos destruindo caras maus de algum país do 3º mundo, vale o ingresso.

O filme começa com John Rambo na Tailândia, levando aquela vidinha típica de aposentado. (No caso de um aposentado como ele, isso significa caçar serpentes mortais com as mãos e pescar peixes gigantescos usando apenas arco e flecha… ou seja, uma vidinha tranquila.)

Aí aparece um bando de americanos legais, que querem ir para a Birmânia (país onde acontece uma ultra-guerra civil) para catequizar os selvagens e levar remédios para a população. Como os americanos são bonzinhos! Para isso, precisam alugar o barco do Rambo e chegar até a fronteira do país em conflito. Rambo diz que não vale a pena, e nessas horas é sempre bom ouvir a voz da razão. Mas Rambo se encanta por uma das mulheres boazinhas, aceita levar os caras até uma aldeia de pobres coitados. Pena que aí surge o exército do país, liderado por um vilão psicopata e… bom, daí você imagina a carnificina geral.

Pontos que eu destacaria no filme:

1. Expressão facial: Se o rosto de Sylvester Stallone já tinha apenas uma expressão antes da invenção do Botox, imagine agora.

2. Apocalypse Now: Boa parte do filme se passa em um barco, o que me remeteu automaticamente à obra-prima de Coppola. Com uma ‘pequena’ diferença em termos de direção artística. Com um pouco mais de sangue, e um pouco menos de cheiro de Napalm pela manhã.

3. Hardcore: Um dos mercenários que ajudam John Rambo é a versão heterossexual do Rob Halford, vocalista da banda de heavy metal Judas Priest.

4. Guerra de um homem só: Se os EUA adoram valorizar o estilo de homem que se faz sozinho (self-made-man), por que não valorizar o homem que faz uma guerra sozinho (self-made-war)?

5. Rambo 5: O final do filme indica que teremos uma sequência.

6. Kiss: O Stallone está a cara do Gene Simmons, baixista e vocalista do Kiss (e isso não é um elogio). Mas temos que reconhecer: o cara fisicamente está muito bem, principalmente se a gente se lembrar que ele tem 61 anos. É apenas por isso que esse post sobre o filme está na seção ‘Eu Queria Ser Esse Cara’.