Quem é o outro no livro 'O Outro'?

Estadão

13 de maio de 2009 | 11h36

Bernard Schlink

Bernard Schlink é professor de Direito e Filosofia na Universidade Humboldt, em Berlim

Acabo de ler um livro curtinho mas bastante interessante: ‘O Outro’, de Bernhard Schlink. Talvez você conheça ele por outro livro, ‘O Leitor’, que virou filme com Kate Winslet e Ralph Fiennes e ganhou até um Oscar. Bem, ‘O Outro’ também virou filme, ‘O Amante’, com Liam Neeson, Laura Linney e Antonio Banderas. Não vi, por isso vou comentar apenas o livro.

Como alguns escritores alemães (sem generalizar, apenas contextualizando, please), Schlink é bastante objetivo e se preocupa mais com a história que está contando do que com o estilo do texto. É a aplicação da lógica à literatura, de certa forma.

‘O Outro’ conta a história de Bengt, um viúvo que tenta se adaptar à nova e solitária vida após a morte da mulher. Um dia, chega pelo correio uma carta para a mulher, de alguém que, obviamente, não sabe que ela morreu. Movido pela curiosidade, Bengt abre a carte e descobre que é de um antigo amante dela.

Além de não saber que ela morreu, o cara ainda diz que está com saudades porque não a vê há muitos anos, etc. Bengt, então, começa a imaginar as circustâncias em que aquele relacionamento ocorreu, e nasce aí uma certa (justificável, sejamos justos) e leve paranóia.

O marido traído (quem seria ‘o outro’ no coração da mulher, ele ou o amante?) responde a carta como se fosse a mulher. Nasce daí um diálogo entre os dois homens, um diálogo falso, claro, mas verdadeiro em alguns aspectos relacionados à mulher que os dois amaram.

Depois de um tempo, o marido anota o endereço do remetente e parte em direção ao seu encontro. Não sabe o que vai fazer; quer apenas conhecê-lo pessoalmente. E vai. O resto eu não vou contar, claro.

Como se vê, não é coisa mais original do mundo, mas é uma ótima trama. Na mão de um escritor mais estilístico e caprichoso seria uma obra-prima. Na mão de Schlink, parece apenas um texto descritivo das ações dos personagens, sem muita emoção ou complexidade. É um livro curto, com umas 90 páginas em Times New Roman tamanho 14. Mas funciona bem visualmente, talvez seja por isso que gostam tanto de adaptar suas obras para o cinema. De qualquer maneira, um livro interessante que dá para ler rapidamente.

Por que, então, ‘eu queria ser esse cara’? Imagina a grana que ele recebeu pelas duas adaptações para o cinema.

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