Quem disse que eu não sou um bom sujeito?

Estadão

06 Fevereiro 2008 | 10h07

Antes de mais nada, você já deve saber pelos posts anteriores que eu não gosto de Carnaval. Portanto, esta é a reflexão de alguém que não tem a menor paciência para saber quem foi eleita a Rainha da Bateria da Mangueira, muito menos o Rei Momo do Baile de Máscaras do Tênis Clube de Piraporinha do Norte.

‘Mas como um brasileiro pode não gostar de Carnaval?’, você me pergunta. E eu respondo: peraí, também não é assim. Como sempre, achei interessante a parte das mulheres seminuas dançando na rua; gostei dos dias de feriado em alguns Estados (e das semanas em outros); achei ótimo ver boa parte do povo feliz, mesmo que tenha sido uma felicidade completamente artificial que desmoronou como um bêbado de salto alto na manhã de hoje.

Tem outra coisa que acho muito chata: gente que não admite que alguém não goste de Carnaval. Tenho amigos que me criticam por isso… bem, até minha mãe me critica por isso. Mas eu vou fazer o quê? Assistir aos desfiles do Sambódromo para descobrir qual entre as escolas de samba tem a melhor Ala das Baianas? Tenha dó.

Só peço que, se alguém me encontrar por aí, por favor não cantarole o trecho do samba mais manjado que existe: ‘Quem não gosta de samba / Bom sujeito não é / É ruim da cabeça / Ou doente do pé’. Não gosto de samba, mas me considero um bom sujeito. Não posso? Por que esse preconceito com quem não gosta de samba? Sou um bom pai, trabalho bastante, cuido da minha família… e não gosto de samba. E para saber se minha cabeça está ruim ou se meu pé está doente, desculpe, mas confio mais na opinião de um médico do que na de um sambista.

Puxa, mas o cara vai ser ranzinza assim logo no dia em que o Carnaval termina? Desculpe, é mais forte que eu. Mas não se preocupe: a partir de hoje, esses comentários viram cinzas. E então, finalmente, o Brasil pode celebrar uma outra coisa: o início do ano.