Quem diria, virei um ex-BBB

Estadão

05 de janeiro de 2007 | 13h44

Felipe BBB

Não quero parecer muito deslumbrado com o tema, até porque já estamos na 7ª edição do Big Brother e não há muita novidade. Mas participei de uma experiência ontem (publicada hoje no caderno Variedades, do Jornal da Tarde, que não poderia deixar de compartilhar com meus amigos. Vamos lá:

‘Muito prazer: eu sou um ex-BBB. Apesar de ter ficado apenas cinco horas dentro da casa, já posso me considerar um ex-Big Brother. Será que isso significa que também posso cobrar para aparecer em festas ou que já que estou credenciado para atuar na novela das oito?

A coletiva de imprensa para a apresentação do ‘Big Brother Brasil’, ontem à tarde na Globo, foi uma simulação real do programa. É isso mesmo: nove jornalistas (inclusive este que vos fala) confinados na casa, vivendo as mesmas situações dos big brothers da ‘vida real’ (se é que é um reality show pode ser considerado ‘vida real’). Tive direito até a entrar no confessionário (foto) – não para eliminar algum dos meus colegas, mas para entrevistar o Boninho, diretor do programa.

Isso significa obedecer cegamente à uma voz sem rosto, conversar com uma câmera de TV e sentir-se como um rato de laboratório. Porque é exatamente isso que um big brother é: um ser humano observado por um quantidade infinita de espelhos, sem a menor noção do tempo (eles mandam tirar o relógio antes de entrar na casa) e com uma constante vocação para falar o que vem à cabeça. Não há nada mais a fazer.

No início, os microfones e as câmeras incomodam como uma forma de opressão cinco estrelas, mas o que mata mesmo é o tédio. Não há televisão (a não ser aquele plasma em que Pedro Bial conversa com a gente, como um fantasma global vindo do além), não há livros, não há música. Não há, enfim, qualquer informação exterior. Isso nos deixa apenas uma saída: conversar. Fofocar e fazer intrigas seriam os termos mais exatos. É, também por isso, que os big brothers passam tanto tempo comendo e (perdendo o que comeram) na academia. O resto é uma mistura de pousada, hospício e clínica de reabilitação. Deve ser por isso que o álcool é racionado na casa.

Entre os jornalistas confinados, infelizmente não havia nenhuma Grazzi, nem Sabrina Sato. Ainda bem que eu só fiquei cinco horas por lá.’

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