Programa de casal

Estadão

05 Fevereiro 2007 | 12h08

Meus amigos gostam de dizer que sou casamenteiro, que não consigo ver ninguém sozinho. É verdade. Faço isso não apenas porque sou um cara superlegal, mas principalmente porque, como sou casado, quero que todos os meus amigos se casem também. Se a contradição das idéias me permite, acredito que é uma espécie de egoísmo para o bem dos outros.

Como homem casado, prefiro não conhecer os detalhes das emocionantes baladas dos meus amigos solteiros. Não quero saber quantas garotas dançavam sozinhas na pista do Sirena, em Maresias, no último sábado. Nem quero ouvir falar que o show do DJ Tiësto estava o máximo na Pachá. Hoje em dia, o máximo, para mim, é sentar numa mesa, comer bem, beber bem, conversar bem, e levantar horas depois. É por isso que quero ver meus amigos casados: para fazer aqueles programinhas de casal que os solteiros tanto abominam.

Uma das melhores coisas da vida é sair com sua mulher e um casal de amigos para jantar e bater papo. É uma delícia deixá-las fofocando sobre aquelas coisas de mulher (novelas, filhos, empregadas, sogras) enquanto nós conversamos sobre coisas importantíssimas, como, por exemplo, se o Nilmar vai ou não vai jogar mais no Corinthians. Dizem que ‘mulher fofoca e homem conversa’, mas acho isso estranho. Tem coisa mais fofoqueira do que programa de mesa redonda de futebol?

Ainda tenho amigos solteiros convictos, que preferem sair para dar em cima de garotinhas de vinte anos. Nada contra, muito pelo contrário. Num mundo perfeito, os homens ficariam casados seis dias da semana e solteiros aos sábados. Mas o mundo não é perfeito. E se eu continuar com esse assunto posso apanhar ao chegar em casa – e ficar solteiro os sete dias da semana, o que seria muito desagradável.

Por outro lado, quero que meus amigos se casem para vê-los felizes. Para quem passou dos 30, acho que é o melhor a fazer. Sobra mais tempo para pensar nas coisas que realmente importam, como família e trabalho. E assim a cabeça não fica ocupada com assuntos perigosos, como baladas e garotas solteiras dançando sozinhas.