Política se faz em casa

Estadão

23 de abril de 2007 | 10h15

Fico pensando como deve ser chata a vida de mulher de político. Se por um lado elas têm acesso a coisas boas (mordomias e outros benefícios que podem me dar um problema danado se eu citar aqui), por outro as coitadas têm que ter muita paciência. Imagine se o marido resolve trazer o estilo de vida profissional para dentro de casa…

“Bonito, hein? Onde o senhor estava até agora? São cinco da manhã”, grita a mulher, ao ver o marido entrando em casa na ponta dos pés.

“Quem, eu? Pois saiba que eu tenho uma liminar do Supremo que me permite ficar em silêncio diante de perguntas cujas respostas podem acarretar minha auto-incriminação”, responde.

“Que papo é esse, seu cachorro? Isso aqui não é Brasília, não! Acabaram de me ligar dizendo que você estava no motel com uma mulher.”

“Isso só pode ser calúnia da oposição, vossa excelência… quer dizer, benzinho! Eu nego peremptoriamente.”

“Perep… o quê? Se eu me levantar daqui para ver o que essa palavra significa, o Aurélio vai parar na sua cabeça”

“Que absurdo! Vou ter que entrar com um mandado…”

“Ah, é? Pois foi a Carminha quem ligou! Ela viu você saindo do motel no seu carro, beijando uma desconhecida.”

“O quê, nossa filha garante que me viu? Bom, se é assim… eu exijo uma investigação completa sobre esse assunto!”

“Não entendi… Como assim?”

“É isso mesmo! Essa investigação agora virou uma questão de honra para mim! Vou exigir que o Valdir descubra exatamente o que aconteceu!”

“Peraí… o Valdir não é aquele seu assessor?”

“Valdir? Quem falou em Valdir? Não tenho a menor ligação com esse Valdir. Nem sei quem é!”

“Agora eu não estou entendendo nada… você é quem falou que vai chamar o tal do Valdir!”

“Eu? Tá vendo? Tudo que acontece aqui é culpa minha! Todo mundo põe a culpa de tudo nos políticos!”

“Queridinho, vamos voltar ao que importa? Conta logo, com quem você estava até agora, seu bandido?”

“Olha, vamos ver isso amanhã cedo? A gente faz uma reunião e marca um almoço para conversar sobre esse assunto e resolver tudo num belo jantar. Semana que vem está bom para você?”

“Semana que vem? Você está tentando me enrolar?”

“Eu? Eu? Claro que não! Por acaso você acha que político enrola alguém?”