Páginas da traição

Estadão

24 de abril de 2007 | 14h33

Quer cena mais comum do que um bêbado contando a história de sua vida num bar para um estranho? Pois esta é a premissa de ‘Naufrágio’, livro de Louis Begley que acabei de ler no fim de semana.

Begley, ‘for the record’, é um autor bastante elogiado pela crítica, mas bem mais conhecido do público pela adaptação para o cinema do seu livro ‘Sobre Schmidt’, estrelado nas telas por Jack Nicholson. Como Begley escreve muito bem, no entanto, o clichê literário do ‘bêbado contando a história no bar’ torna-se um livro interessante que não dá para largar.

O autor, nascido na Polônia mas nova-iorquino convicto, é um mestre na arte de contar histórias de homens normais, como o tal Schimdt. Toda pessoa normal, teoriza ele, também é único em sua normalidade. Aqui, o personagem em questão é o milionário John North.

North é um escritor famoso, premiado e adaptado para o cinema. (Coincidência? É melhor para a mulher dele que não seja) North é um mulherengo que passa o livro inteiro contando o seu caso de amor com Léa Morini, uma jornalista francesa que torna-se sua amante após entrevistá-lo. Eu imaginei a Léa com a cara da atriz Natalie Portman; já o John North imaginei com o rosto do Begley mesmo, já que tem a foto dele na orelha do livro. O caso de North e Léa vai crescendo em dedicação e em obsessão, até chegar… bom, aí você vai ter que ler o livro. Detalhe importante: o post está na seção ‘Eu Queria Ser Esse Cara’ por causa do Begley, não do John North.