Outra jóia do artesão Alessandro Baricco

Estadão

11 de junho de 2008 | 13h52

seda

Cena de ‘Silk’ (Paixão Proibida), filme com Keira Knightley e Michael Pitt baseado no livro ‘Seda’, de Alessandro Baricco

Xi, lá vem o Felipe de novo com esse papo de gênio… Bom, então vou tentar me controlar: Alessandro Baricco pode não ser um gênio, mas na minha opinião é um dos escritores mais interessantes da atualidade.

Ainda não chegou às livrarias, mas tive o privilégio (e o prazer) de ler as provas de seu livro ‘Sem Sangue’, e confesso que fiquei mais uma vez impressionado.

O livro é curto e dá para ler de uma ‘sentada’ só. É didaticamente dividido em duas partes: na primeira, um fato marca a vida de uma menina; na segunda, a menina que virou mulher persegue o fato para esclarecê-lo. A premissa, bastante básica, esconde uma trama que conquista pela sutileza. Da mesma maneira que Baricco fez com sua pequena jóia, ‘Seda’ (que foi parar nas telas pelas mãos de François Girard, ‘Paixão Proibida’ no Brasil – pelamordeDeus, quantos filmes será que existem com esse nome?), ‘Sem Sangue’ é um livro para se ler com cuidado. O texto de Baricco é simples, sem muitas inovações. De repente, no meio da caminhada, ele puxa o tapete e surpreende o leitor com uma metáfora incrível, uma cena bela e inusitada, um tapa na cara.

O que senti, na verdade, é que estava lendo um livro e, de uma hora para outra, descobri que estava lendo outro. Parece que o texto é direto e objetivo, até que uma palavra fora (dentro) de lugar nos transporta para outro mundo, mais abstrato e sem lógica. ‘Sem Sangue’ saiu lá fora em 2002 e não é o último do autor: ‘Esta História’, de 2006, já saiu no Brasil, também lançado pela Cia. das Letras. Gostei bastante e recomendo: volto a dizer, tem apenas 80 páginas e dá para ler de um fôlego só.

Achei interessante e reproduzo aqui a nota do autor, no início do livro: “Os fatos e personagens a que esta história alude são imaginários e não se referem a nenhuma realidade particular. A escolha de nomes hispânicos deve-se a razões puramente musicais e não pretende sugerir uma inserção temporal ou geográfica dos acontecimentos.”

Será que isso era necessário? Para mim, chamou mais ainda a atenção para um detalhe que teria passado despercebido. Talvez ele tenha sido alertado sobre eventuais problemas jurídicos ou alguma outra restrição que não saberemos nunca. Mas isso não importa. Só me desculpem porque não dei mais detalhes da história: a idéia é suscitar a sua curiosidade de uma maneira sutil e, digamos… sem sangue.

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