Os astronautas também amam

Estadão

06 de fevereiro de 2007 | 16h09

Como passei a infância sonhando em ser astronauta, sempre tive a impressão de que eles são super-heróis sobrehumanos que vivem uma existência à parte. Uma espécie de seres privilegiados espiritualmente, abençoados (se é que a imagem de um astronauta religioso é compátivel, já que são quase todos ateus). Até fiquei emocionado de ver o tenente-coronel brasileiro Marcos Pontes indo para a Estação Espacial.

Aí eu cresci e vi que astronautas são como todos nós. Alguns bem piores. A começar pelo Marcos Pontes, que se mostrou um belíssimo mau-caráter: gastou US$ 10 milhões do programa espacial brasileiro para ir para o espaço e se aposentou menos de um mês depois de voltar à Terra. Para quê? Na reserva, ele pode cobrar para dar palestras. Ou prestar serviço para associação como a Fiesp. Ou seja, ele mandou gente como eu e todo mundo que acreditou nele para o espaço. Detesto dizer isso, mas cada país tem o herói que merece.

Leio hoje uma notícia muito interessante que vem reforçar a tese de que os astronautas também cometem erros, como nós. Alguns, até, são bem piores.

Na última segunda-feira, a polícia prendeu uma mulher acusada de tentar seqüestrar uma ‘rival’ amorosa. Detalhe: o caso aconteceu em Orlando, Flórida, cidade-sede da Disneyword (que tem uma montanha-russa chamada Space Mountain…)

A história é a seguinte: Lisa Nowak, 43, casada, três filhos, astronauta, integrante da missão que foi para o espaço na nave Discovery em julho de 2006, pôs uma peruca e foi para Orlando esperar sua rival Colleen Shipman chegar de Houston, Texas, para agredi-la/matá-la/qualquer outra coisa do tipo. Lisa desconfiava que Colleen tinha um caso com o astronauta William Oefelein, companheiro de Lisa na Discovery.

Coitada. A astronauta seguiu a outra até o estacionamento, armada com uma faca, uma pistola de ar comprimido e outros acessórios estilo Rambo. Para a polícia, com cara de idiota, imagino, Lisa contou que sua relação com o colega solteirão William Oefelein era “algo mais que uma relação de trabalho, porém menos que uma relação amorosa”. Adoraria saber o que significa isso.

Mais uma prova, portanto, de que os deuses até podiam ser astronautas, mas os astronautas definitivamente não são deuses.

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