Onde você passou o réveillon?

Estadão

07 de janeiro de 2008 | 10h19

Voltar ao trabalho depois do réveillon me dá a mesma sensação que eu tinha quando voltava às aulas depois das férias: todo mundo está meio diferente. Meus amigos estão mais animados, mais bronzeados, com outros penteados. E com roupas novas, provavelmente aquelas que há poucos dias eram apenas presentes no pé da árvore de Natal.

Nessa época, todo mundo me pergunta onde passei o réveillon. Eu me pergunto outra coisa: as pessoas desejam realmente saber onde eu estava ou querem apenas que eu pergunte de volta… ‘e você?’ Às vezes, a curiosidade é um ego vazio à espera de uma resposta para preenchê-lo.

Não é mau humor: as palavras ‘onde’ e ‘réveillon’ na mesma frase me dão calafrios quando o fim de ano vai chegando: é sempre um caos planejar tudo que se tem que fazer. Parece que há no ar a obrigação de se passar o réveillon em ‘algum lugar’, como se São Paulo não fosse ‘algum lugar’. São Paulo é um ‘lugar’, mesmo não sendo para mim. Acho que o maior evento da maior cidade do País, com um público tão grande quanto o do réveillon do Rio, merece shows um pouco melhores que os de MC Leozinho e Lulu Santos – até porque todo mundo sabe que Lulu odeia São Paulo.

Passei o réveillon na praia, com família, amigos e… uns vizinhos-malas, gente que não conheço mas que com certeza deveria ser proibida de ouvir música muito alto. Que ironia: sempre fui o cara de quem todo mundo reclamava. Ano novo, mundo novo.

Só faltou uma coisa: Bill Gates, Steve Jobs, Stephen Hawking e Craig Venter se reunirem para inventar o teletransporter. Lembra? Era aquela máquina de ‘Jornada das Estrelas’ onde a pessoa entrava numa cabine e aparecia em outro lugar, imediatamente. Seria uma boa solução para quem não gosta muito de passar 14 horas na estrada. Uma estrada deveria ser apenas um caminho para se chegar a ‘algum lugar’. Mesmo que esse lugar seja… São Paulo.

O réveillon foi há apenas alguns dias, mas parece que já se passou uma eternidade. É um paradoxo do tempo: enquanto tenho a impressão de que 2007 inteiro passou voando, os primeiros dias de 2008 já parecem ter passado há muito mais tempo. Será que é só a minha impressão? Ano que vem a gente vê.

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