O roqueiro Caetano Veloso

Estadão

14 de setembro de 2007 | 16h50

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É incrível como Caetano Veloso tem talento para se reinventar. E também é incrível constatar que sua carreira foi caminhando para um lado tão polêmico, tão cercado de ‘declarações’ e ‘opiniões’, que hoje em dia a simples menção do seu nome gera ódios e amores de mesma intensidade em qualquer rodinha de amigos.

Estou dizendo isso porque acabo de ouvir o novo disco de Caetano, ‘Cê – Multishow ao Vivo’, e posso dizer que é bem legal. ‘Cê’ já era realmente “um disco valente” – como me disse o artista uruguaio Jorge Drexler -, e sua versão ao vivo só comprova que Caetano é, sim, um artista muito criativo e talentoso. Nem precisava que eu dissesse isso, claro, mas eu disse mesmo assim.

Isto dito, também tenho que ser justo: o disco tem uns altos e baixos fortes, principalmente em relação aos arranjos de guitarra de Pedro Sá. Não sei se é porque também sou músico, mas geralmente presto bastante atenção aos arranjos de guitarra e percebi que muitos deles têm uma sonoridade estilo ‘quero-ser-Sonic-Youth-e-Pixies’, pseudo-moderna, uma dissonância desnecessária que incomoda e até estraga em alguns momentos.

O disco é legal, volto a dizer, só fico imaginando como seria melhor se tivesse sido tocado por um grande guitarrista de rock. Falta peso, falta pegada mesmo em sons em que a guitarra não seria, na teoria, bem-vinda. Em ‘Desde que o Samba é Samba’, por exemplo, Pedro Sá tenta simular uma cuíca com o pedal wah-wah e acaba fazendo um som quase ridículo. Gostei mais da pegada dele em ‘Sampa’, uma coisa mais ‘staccato’ (desculpe os termos técnicos), em ‘Nine out of Ten’ (mais hippie), em ‘Rocks’ (um bom hard rock apesar da letra besta, infantil) e em ‘Fora da Ordem’, onde a banda simula uma banda militar marchando.

Gostei, enfim, do disco. Os comentários mais críticos são apenas de quem viu um importante artista da MPB apresentando um bom disco ao vivo de rock que poderia ter sido um ótimo disco ao vivo de rock. Fui claro?

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