O que devemos aprender com os computadores

Estadão

30 de agosto de 2008 | 16h33

Lara Croft

Os textos que surgem nesse espaço nascem da observação das coisas do dia-a-dia. Foi daí que veio a idéia de trazer para a vida real um mecanismo virtual bem específico que existe apenas no mundo exato dos computadores. É uma idéia impossível, mas isso não a impede de ser extremamente sedutora. Afinal, se a máquina é ensinada a simular o que o homem tem de melhor… por que o homem não pode aprender a imitar a máquina no que ela tem de superior?

Antes que você imagine as conseqüências práticas (e divertidas) dessa idéia, já aviso: não, não estou pensando em melhorar o corpo de nenhuma amiga minha com Photoshop. E nem passa pela minha cabeça ‘deletar’ alguém da memória, expressão que substituiu o verbo ‘apagar’ por alguma razão que até hoje eu não entendi.

O que eu gostaria mesmo de fazer era copiar um outro truque que funciona muito bem no computador – e adaptá-lo à nossa vida.
Vamos ser mais didáticos: os programas de computador têm um recurso que apaga a última ação realizada pelo usuário, ou seja, corrige o que você acabou de fazer.
Na prática isso é chamado de ‘Control-Z’. Ou seja, você aperta o botão ‘Control’ e a letra ‘Z’ ao mesmo tempo e o computador voltra atrás no que tinha feito. Pois é exatamente essa a minha idéia: gostaria que existisse um ‘Control-Z’ na nossa vida.

Imagina só que maravilha… Você fez uma besteira? Aperte o ‘Control-Z’ e limpe a sua barra. Casou-se com a pessoa errada? Volte ao cartório e aperte o ‘Control-Z’. Pensou alto uma frase idiota? Não se preocupe, clique no seu ‘Control-Z’. Deixaríamos de cometer muitos atos pelos quais nos arrependemos amargamente no momento seguinte.

Acho que essa é a única característica que eu gostaria de copiar das máquinas. Sei que o erro é importante para o aprendizado; sei também que muito do conhecimento adquirido vem dessa seqüência de coisas positivas e negativas que constroem a nossa experiência, mas não importa. Eu queria um ‘Control-Z’ para a minha vida. Errar é humano, mas um pouco de inteligência artificial não faria mal a ninguém.

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