O poder das mulheres

Estadão

10 de janeiro de 2011 | 13h22

Querida Dilma,

em primeiro lugar, parabéns por ser a primeira mulher a vestir a faixa presidencial. No futuro, teremos a real dimensão do que isso significa. ‘Retrospectiva 2111: Há cem anos, uma mulher assumia pela primeira vez o governo do Brasil…’ Uau, minhas bisnetas vão achar emocionante.

Antes de começar esse papo, queria te perguntar uma coisa… posso te chamar de você? ‘Senhora’ é muito formal, mesmo para uma presidente da República. Afinal, me dirijo a você de brasileiro para brasileira, em situação de (quase)igualdade. Eu sei, eu sei, a distância entre nossos poderes é abissal: sou o responsável por um blog, você é responsável por um… país. Mas, no fundo, somos somente dois seres humanos tentando fazer o melhor possível, não é?

Acho que vai ser muito positivo para o nosso País ser governado por uma mulher como você. Sou fã das mulheres. Não apenas daquelas que brilham ao sol de Ipanema, se é que você me entende. Gosto da maneira como as mulheres pensam, embora nem sempre concorde com elas. Vocês têm algo de superior em relação a nós, homens. Se Darwin estivesse aqui, diria que a mulher é o próximo passo na evolução da espécie. Aliás, o Darwin daria um ótimo ministro de Ciência e Tecnologia, hein? Desculpe a piada. Quem não tem cão, caça com… o Mercadante.

Tenho certeza de que o mundo vai melhorar quando mais mulheres chegarem ao poder. Acredito na capacidade de liderança e na sensibilidade feminina, mesmo sabendo que a Margaret Thatcher era um monstro e a Imelda Marcos, uma figura patética. Ainda bem que há mulheres como você, Angela Merkel, Hillary Clinton, Michelle Bachelet. Mulheres fortes, dedicadas, que transpiram competência. Gente séria. O mundo será de vocês antes do que a gente imagina. Feminismo e machismo são palavras tão ‘século 20’…

Já que você é presidente, vou começar os pedidos: queria ver menos corrupção do que no governo do seu padrinho. Nunca antes na história deste País houve tantos picaretas com anel de doutor. Só um toque: pegou mal convidar a sua comadre Erenice Guerra para a posse. Sabe o que significa a expressão ‘queimar o filme’? Pois é: eu sei que ela é sua amiga, mas a verdade é que a Erenice queima o seu filme. Ela podia dar uma sumida: não acho que o nosso País vai sentir falta.

No mais, boa sorte, do fundo do coração. Para governar um País como este, só sendo muito, muito mulher. E você é. Você não é a última, mas será, para sempre, a primeira.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.