O pacote humano

Estadão

22 Janeiro 2007 | 18h15

É comum ouvir gente dizer que só se casou “por causa da covinha” no queixo dele, ou que foi o “sorriso dela” que conquistou seu coração. Tudo balela: ninguém se apaixona por uma coisa só. O que conta mesmo é o pacote. O pacote humano.

Você está com alguém e quer saber se esse pacote vale a pena? Conheço um exercício bastante simples. Pegue uma folha de papel, escreva “eu adoro” no topo esquerdo da página e, embaixo, faça uma lista com tudo o que você ama no seu relacionamento. Do lado direito, debaixo de “eu odeio”, detone tudo o que você não agüenta mais na pessoa amada. Veja qual foi o lado que teve mais anotações e tome a sua decisão. Agora amasse bem o papel e jogue no lixo. Não importa o resultado: se você precisou fazer uma lista dessas, a coisa deve estar feia.

A primeira coisa que digo aos amigos que ainda não se casaram: sejam tolerantes. Lembra do ‘Tolerância Zero’, programa contra o crime que deu certo em Nova York? Pois é, em relacionamento o que dá certo é o ‘Paciência Mil’. Porque quanto mais velho você se casa, mais manias leva para o relacionamento. E aí fica difícil encontrar espaço para as manias dos outros. Ué, você achou que só você tinha manias?

Só preste atenção naquelas mentiras universais que as pessoas insistem em acreditar. A de que é possível mudar alguém, por exemplo. As mulheres se casam achando que vão mudar o homem; o homem se casa achando que a mulher não vai mudar. A verdade é que ninguém muda ninguém, cada um só pode mudar a si próprio (e é melhor nem pedir para o outro mudar, já que geralmente é para pior).

Você odeia quando ele não levanta a tampa da privada? Veja pelo lado bom: ele poderia estar fazendo xixi no chão. Você não suporta vê-la roendo as unhas? Pense bem… ela poderia estar roendo as suas unhas.

É como diz um dos meus ditados preferidos: “As coisas mudam, as pessoas não.” Isso não é conselho. Conselho é uma coisa que se dá de graça, e lembre-se que você pagou pelo telefone e pela conexão à internet para ler isto aqui. Mas posso sugerir uma coisa? Esqueça os pequenos detalhes e concentre-se no conjunto da obra. É esse pacote que vai determinar a sua felicidade.