O misterioso mundo da moda

Estadão

07 Março 2007 | 12h30

Crisbarros

Fiz ontem um programa que não estou muito acostumado: fui a um desfile de moda. Há anos que tento gostar do mundo da moda, mas acho que o mundo da moda não gosta de mim. Sempre me sinto meio fora de lugar, acho que não sei fazer pose o suficiente para parecer super à vontade.

O desfile era da estilista Cris Barros, uma das novas estrelas da moda brasileira. Não entendo muito de tendências, etc, mas posso dizer que os vestidos estavam muito bonitos. Belos cortes, tecidos elegantes… pena que não posso dizer o mesmo das modelos. Em primeiro lugar, nada de Gisele Bündchen e Alessandra Ambrósio. Eu, pelo menos, não conhecia nenhuma das modelos que desfilaram. Uma pena, eu pensava que as modelos famosas desfilavam para essas grifes brasileiras descoladas. Sei que o padrão da moda é magreza total, mas acho que elas exageraram: além de magras, estavam com uns penteados esquisitos, meio lambidos e tal. Como não entendo do assunto, pode ser que parecer feia esteja na moda.

Quem deveria ter desfilado era a própria Cris Barros, que é linda (foto acima de Vidal Cavalcante/AE). A estilista, aliás, é a melhor garota propaganda que sua marca pode ter: quando ela aparece vestida com sua própria coleção, dá para entender por que as outras mulheres chegam a pagar R$ 2 mil por um vestidinho. Nem todas ficam tão bem quanto ela, infelizmente. Mas o estilo da Cris Barros é uma coisa bem brasileira-chic, aposto que em breve ela estará desfilando no exterior.

O desfile aconteceu numa mansão no Jardim América e foi super disputado. O público, umas 200 pessoas, era super VIP: Luana Piovani (muito bonita apesar do ar blazé quando os fotógrafos das revistas de celebridades pediam para ela fazer pose); Cléo Pires (não imaginava que ela era tão baixinha, apesar de ter um rosto maravilhoso e super expressivo); Daniella Sarahyba (sem comentários, é uma das mulheres mais lindas que eu já vi – pena que estava com o noivo, um tipinho super playboy de cabelo meio alisado com escova) e Glória Maria (bonita, principalmente se a gente lembrar que ela tem quase 60). O resto da platéia era composta por mulheres da sociedade paulistana. O engraçado é que não havia ninguém feio (só eu, claro): até as mulheres que não eram tudo isso estavam bonitas com tanta produção de roupas e cabelos. É dura a vida de so-cia-li-te: cabeleireiro, academia, shopping… não é para qualquer uma.

Ao final dos 15 minutos (impressionante como é um evento curto… se você espirrar, perdeu o desfile), cansado do papo sobre modelitos com as amigas da minha mulher, fui conversar com um grupinho de homens perto da mesa de som. Puxei um papo de futebol, mas me olharam meio estranho. Um dos caras estava destoando do resto do evento, vestido com uma roupa meio furada, meio suja, tipo camiseta branca encardida. Achei que era algum penetra que tinha entrado pela porta dos fundos. Ao comentar sobre o assunto com minha mulher, descobri que o cara era um dos ‘donos’ da festa’, o próprio produtor do desfile. Está explicado por que eu não entendo nada de moda.