O melhor amigo do Palavra de Homem

Estadão

05 de maio de 2009 | 09h13

Nick

Nick lendo o jornal antes do café da manhã. Essa foto foi tirada há quatro anos; ele já cresceu muito desde então (cerca de 1,5 cm, talvez um pouco menos)

Sou apaixonado há cinco anos por um cara chamado Nick.

Calma, você não está lendo o blog errado. Nick ‘Ottina’ é meu cão, um Yorkshire que faz aniversário hoje. Se vai ter festa? Claro que sim. À imagem e semelhança do dono, o Nick adora uma baladinha.

É incrível como a gente se apega a um cachorro, não? Ele era de uma outra pessoa e costumava passar alguns dias na minha casa. Foi ficando, ficando… hoje eu mordo se alguém tentar tirá-lo de mim.

Outro dia a Veja publicou uma matéria explicando o cérebro canino e garantindo que cães não têm capacidade para pensar. “Talvez o cão desse repórter seja limitado”, latiu Nick, comentando o texto.

Nick lê o jornal comigo pela manhã, embora ache que as notícias trazem muita informação sobre humanos e pouca atenção aos outros mamíferos. Tenho certeza que se ofende quando comparo os políticos aos cachorros. Toda noite, depois que apago a luz, ele vem do meu lado da cama para me dizer boa noite. Nick sabe que não trabalho cedo no fim de semana e também aproveita para dormir um pouco mais. Se chego tarde em casa, ele fica me esperando na porta, preocupado com a violência em São Paulo. Nick fica de bom humor quando está namorando. Atualmente, ele mantém um relacionamento estável com a Aninha, uma charmosa ursinha de pelúcia branca e marrom.

Tem gente que faz piadinha quando digo que tenho um Yorkshire, em vez de um Labrador ou um Pitbull, raças ‘mais masculinas’. Tenho um Yorkshire porque moro num apartamento e ele é um cão pequeno. Não vejo nada de masculino em deixar um animal de 40 kg sozinho oito horas por dia só para exibi-lo no Ibirapuera aos domingos a bordo de um belo modelito focinheira.

Nosso amor por cães tem a ver com personalidade, não com tamanho. O lutador de jiu-jítsu se identifica com o Pitbull porque é um cão musculoso que pode brigar de igual para igual com ele, assim como cabeleireiros preferem Poodles porque podem treinar novos penteados. Eu prefiro um cão que suje pouco a casa e que fique deitado no meu colo enquanto leio um livro.

Odeio desmentir o gênio, mas Vinícius de Moraes estava errado. Ele disse que o melhor amigo do homem é o uísque, que o ‘uísque é o cachorro engarrafado’. Nada a ver. O melhor amigo do homem é, sim, o cão. O cão é que é o uísque de quatro patas.

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