O maior amor do mundo

Estadão

17 de setembro de 2007 | 12h17

Não sou o cara mais religioso do mundo, hoje em dia ando mais para discípulo de Richard Dawkins (autor de ‘Deus, um Delírio’). Na verdade, sou um típico católico: só vou à igreja quando alguém nasce (batizado), quando alguém morre (sétimo dia) ou quando alguém… se casa.

Respeito os padres, embora ache que alguém que nunca teve um relacionamento sério na vida deveria ser a última pessoa no mundo a dar conselhos matrimoniais. Apesar disso, me casei numa cerimônia religiosa – eu estava bem nervoso, mas, se não me engano, o padre era até meio parecido com o padre Marcelo Rossi.

No último fim de semana fui a um casamento que teve uma bela participação do padre (Não, ele não era o noivo). Apesar de falar umas cinco horas e meia (pelo menos foi o que pareceu) e encher o discurso de pronomes oblíquos estranhamente colocados (me diz-me a mim se vocês se amam-se, sei lá, algo assim), o sacerdote disse coisas muito interessantes.

Ele disse que, segundo a Bíblia, o mais belo amor existente na humanidade não é o da mãe pelo filho, como costuma-se imaginar. O amor mais verdadeiro de todos é aquele entre o homem e a mulher. Por quê? Porque a mãe não escolhe um filho; seu amor é gigantesco, mas ela amaria qualquer criança que saísse de seu ventre. No caso do amor entre um homem e uma mulher, é o casal quem escolhe um ao outro. É por isso que é o maior amor do mundo.

Lindo, não? ‘Escolher alguém para amar’. São palavras que, graças a Deus, não têm nada a ver com religião: trazem um conceito de amor tão universal que poderiam ser aplicadas a qualquer crença. São palavras que tem a ver comigo, com você e, principalmente, com a sobrevivência da vida humana.

É fácil criticar um padre pela inexperiência em relacionamentos amorosos ou por não entender o que acontece no coração de um homem quando ele se apaixona por uma mulher. O difícil – e foi o que aconteceu no casamento do meu amigo – é admitir que alguém como eu ou você nunca teria escolhido um tema melhor para falar na frente de dois jovens apaixonados. Eu, na minha humilde ignorância, sou obrigado a concordar: não existe nada mais sagrado que o amor.

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