O curioso filme de David Fincher

Estadão

29 de janeiro de 2009 | 15h53

EFE/Everett Kennedy Brown

Publiquei este post na seção ‘Eu queria ser esse cara’ em homenagem ao diretor David Fincher, que está no centro da foto. Mas é só dar uma olhadinha na Angelina Jolie para imaginar que eu também não me incomodaria nem um pouco em ser o Brad Pitt

Se você ainda não viu ‘O Curioso Caso de Benjamin Button’, tem que ver. Não apenas porque ele é o campeão de indicações ao Oscar (13), mas porque é um filme bem diferente do que estamos acostumados. É um filme estranho, mas muito interessante.

A história, para começar, já é incrível e bastante original. E pensar que foi baseada em um conto bem-humorado do F. Scott Fitzgerald, um dos meus escritores favoritos.

Parênteses: Todo mundo acha lindo idolatrar o Faulkner e o Hemingway porque eles eram durões, etc. Eu também idolatro os dois, por essa e outras razões. Mas acho que o Fitzgerald é super-subestimado, apesar de ter produzido obras-primas como ‘Suave é a Noite’ e ‘Grande Gatsby’. Mas deixa pra lá porque isso é tema para um outro post.

‘Benjamin Button’, o filme, não tem nada de bem-humorado. É, aliás, meio sombrio. Mas não tão sombrio quanto seria se tivesse sido dirigido pelo Tim Burton, por exemplo. É um sombrio sóbrio (pleonasmo?), realista, o que, na minha opinião, é um dos méritos do diretor David Fincher.

A história, como todo mundo sabe, é a de um homem que nasce velho e vai ficando jovem com o tempo. Se o Fincher errasse um pouquinho a mão, o filme seria uma grande piada. Ou um filme de terror. Ou um filme brega. Ou um filme de ficção científica meio Kurt Vonnegut, sei lá. Mas o Fincher transforma essa história maluca numa coisa quase plausível, extremamente lógica – se é que isso é possível. No meio do filme você até esquece que a trama é absurda, porque ele mostra exatamente o que aconteceria se ela tivesse acontecido de verdade. A única coisa chata é o recurso de contar a história por meio de um diário, a filha lendo para a mãe no leito de morte, etc. Pelamordedeus, isso aí era novidade… nos anos 50.

Tem um paralelo muito interessante, também, com a relação das pessoas com o tempo. A história parece dizer que, não importa em que direção vamos, o tempo é sempre um inimigo. Isso é tão difícil de aceitar, mas tão verdadeiro, não? Eu achei que a culpa (no bom sentido) foi tanto do Fincher quanto do roteirista, Eric Roth. A história do relojoeiro que constrói um relógio, digamos, diferente, também ficou bem legal como forma de amarrar e dar contexto à trama maluca.

Isso tudo, claro, sem contar as atuações do Brad Pitt e da Cate Blanchett. Ele está muito bem, não será surpresa se ganhar o Oscar (o cara já merece há algum tempo, vamos falar a verdade). E Cate Blanchett é sempre Cate Blanchett, uma atriz talentosa, sensível e… maravilhosa.

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