O amor de um jovem muçulmano nos EUA

Estadão

23 Fevereiro 2007 | 21h45

Não gosto de me meter em temas polêmicos (até parece), mas acabei de terminar ‘Terrorist’, último livro de John Updike. Apesar de ser ficção, acho que poucos no mundo escreveram tão bem sobre o que se passa na cabeça de um jovem muçulmano que vive nos Estados Unidos.

A trama conta a história de um garoto de 18 anos, Ahmad Ashmawy Mulloy… Mulloy? É isso aí, porque ele é filho de um egípcio muçulmano com uma americana de origem irlandesa. O pai abandonou a família quando Ahmad era criança, e isso marcou muito a sua infância.

Na pequena cidade de New Prospect, em Nova Jersey, Ahmad cresce vendo a mãe entrar e sair de relacionamentos tortuosos, inclusive com um judeu que é o conselheiro de sua escola. Ahmad se revolta e cai nos braços(sentido figurado, apesar da tensão quase sexual que há entre eles) de um imã nascido no Iêmen, que incita ainda mais sua revolta. Para completar, ele se apaixona por Joryleen Grant, uma adolescente negra de sua escola que também faz bicos como prostituta – e ele descobre isso num dos momentos mais maravilhosamente escritos do livro. E olha que são vários.

Enfim, essa paixão e a decepção decorrente dela é um pequeno retrato do caldeirão cultural que vive um muçulmano nos Estados Unidos, com todos os seus rituais e pensamentos ultra-radicais convivendo com a vulgarização do sexo na ‘terra da liberdade’ e as conquistas feministas.

Descrevi o islamismo como radical porque não dá para dizer que é uma religião exatamente liberal, concordam? Os islâmicos mais tradicionalistas exigem que as mulheres usem véu preto sobre o rosto e não frequentem escolas… Não quero ser politicamente incorreto, mas não acho legal o jeito que os muçulmanos tratam suas mulheres. Respeito a tradição e os costumes de todas as religiões, mas acho que uma mulher deveria ter o direito de mostrar seu rosto.