Novo show do U2 na Escócia: Loucura sonora e visual

Estadão

27 de agosto de 2009 | 17h25

Um grande amigo acaba de me enviar um texto que me provocou duas sensações: a primeira foi alegria, porque percebi o quanto foi boa a balada em que ele esteve. A segunda foi inveja, no bom sentido, porque eu também adoraria ter estado lá.

O texto a seguir é um relato do cineasta, diretor de cinema e roteirista Maurício Eça, um dos sócios da hypada produtora Hotel:Filmes. Ele teve o prazer de assistir a um dos primeiros shows da nova turnê do U2 e tenho certeza de que você vai sentir a mesma coisa que eu: uma pitada de inveja (no bom sentido, claro).

U2 360º na Escócia
Maurício Eça

No último dia 18 de agosto assisti a um show do U2 da sua nova turnê ‘360º’ no Hampden Park, em Glasgow, Escócia. O estádio recebeu mais um público de 62 mil pessoas para esta etapa da enorme turnê mundial da banda irlandesa.

Chegamos cedo, a tempo de ver o estádio lotando pouco a pouco e também para entrar no clima ‘scotish’. Foi bem diferente poder entrar em um estádio tão lotado com tanta calma, e ainda poder assistir à luz do dia os últimos acertos do incrível palco novo do U2.

Pouco antes das 19h, a banda britânica The Hours abriu esse dia (ainda não tinha anoitecido…) de típico verão escocês, um tempinho de cerca de 17º e alguma chuva. O set foi curto e direto, conciso, rock com teclado e forte química entre os seus membros. A banda esquentou o palco e, na sequência, veio o Glas Vegas. Com mais entusiasmo, a banda fez um show mais frio, mas nem por isso menos elétrico. O Glas Vegas está lançando seu novo álbum e fez questão de dar uma amostra das novas músicas ao público.

Nos alto-falantes tocava ‘Space Oddity’, de David Bowie: foi a senha para que as luzes do estádio fossem apagadas e a banda começasse a aparecer no telão, caminhando lentamente do camarim para o palco. Estava quase escuro quando, britanicamente às 20h30, o U2 entrou no palco. O primeiro foi Larry Mullen Jr., que começou a espancar sua bateria para introduzir ‘Breathe’, do disco novo. O guitarrista The Edge e o baixista Adam Clayton entraram ao mesmo tempo; em seguida, como um relâmpago, Bono entra correndo e o estado de ecstasy entra na veia de todos no estádio. Loucura sonora e visual!

O U2 hoje, sem dúvida alguma, é o principal nome pop do mundo e tudo o que a banda toca é muito forte. E o novo palco do U2 está quebrando todos os recordes: é em formato de 360 graus, não há fundo, e todo mundo que está no local pode ver os caras, o que significa na prática que todos os ingressos do estádio podem ser vendido, mesmo os que na estrutura tradicional de shows em estádio não podiam ser comercializados porque estavam atrás do palco. Graças a isso, o show da banda no estádio de Wembley, em Londres, bateu todos os recordes de públicos em estádios.

Visualmente o U2 sempre se supera. Este show mostra mais uma vez o talento e criatividade dos irlandeses. Os telões estão sincronizados com a ação da banda no palco, mudando de acordo com o que eles fazem, girando… A iluminação, o telão que baixa até quase a altura dos membros da banda, enfim… tudo é inacreditável. Não é supresa para ninguém que a banda tenha uma simbiose perfeita, todos sabem o que tem que fazer e em qual momento do show. Parece tudo muito ensaiado, coreografado, preciso. Mas mesmo assim tudo o que eles fazem, apesar desse suposto excesso de profissionalismo, é incrivelmente forte, com atitude e verdadeiro. Mesmo quando tocam ‘Sunday Bloody Sunday’, ainda é possivel acreditar no que eles dizem e ver o quanto eles se entregam.

Algumas surpresas ainda estavam guardadas pra nós: Bono tirando os óculos escuros durante o show; e a pane do sistema de som do estádio, que ‘morreu’ durante um tempo enquanto eles cantavam ‘Walk on’ (veja o vídeo abaixo). Mesmo assim, o U2 mostrou raça: a banda não parou de tocar e se manteve com a mesma força até o sistema de som voltar à normalidade.

O show teve ainda uma bela homenagem à ativista birmanesa Aung San Suu Kyi, com fãs entrando no palco com a máscara dela, muitas musicas do seu novo CD e os velhos hits que todo mundo queria ouvir. Estava tudo certo: estádio cantando junto, uma versão de ‘One’ incrivelmente densa,…tudo!

Com pouco mais de duas horas de show, o U2 encerrou com ‘Moment of Surrender’ para uma plateia cansada, bêbada… mas muito feliz.

A seguir, o set list do show:

1. Breathe
2. No Line On The Horizon
3. Get On Your Boots
4. Magnificent / Flower Of Scotland (trecho)
6. Beautiful Day / Here Comes The Sun (trecho)
7. Elevation / Up On The Catwalk (trecho)
8. I Still Haven’t Found What I’m Looking For / Movin’ On Up (trecho)
9. Stuck In A Moment You Can’t Get Out Of
10. Unknown Caller
11. The Unforgettable Fire / A Day Without Me (trecho)
12. City Of Blinding Lights
13. Vertigo
14. I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight / Two Tribes (trecho)
15. Sunday Bloody Sunday / Oliver’s Army (trecho)
16. Pride (In The Name Of Love)
17. MLK
18. Walk On
19. Where The Streets Have No Name / All You Need Is Love (snippet)
20. One

Bis:
Ultra Violet (Light My Way)
With Or Without You
Moment of Surrender

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