Nove homens e noventa cervejas

Estadão

09 de janeiro de 2008 | 20h10

Nada como tomar uma cervejinha com os amigos para botar a conversa em dia. Ontem a desculpa para deixar as mulheres em casa foi ‘comemorar o ano novo’.

Pois é, foi mais uma típica ‘noite dos caras’, um monte de homens em volta de uma mesa de bar e dezenas de garrafas de cerveja em cima. E isso não é modo de falar: eram nove homens e uma conta que chegou no final que estou com medo de lembrar o valor até agora.

Uma coisa que eu lembro, no entanto, é que prometi contar aqui alguns assuntos levantados nesses papos altamente culturais, que sempre levam nada a lugar nenhum. Pois aqui vai:

1. Falamos mal de um amigo de infância que comprava bolachas de chocolate e cuspia nelas para não ter que oferecer para ninguém.

2. Esse cara fazia a mesma coisa com as garrafas de Coca-Cola. Deve ser por isso que nunca mais ninguém da turma ouviu falar dele. Alguém disse que ouviu uma história de que o cara casou e se mudou para bem longe. Todo mundo concordou que ele nunca fez falta.

3. Um amigo entre os que estavam na mesa fez uma viagem super-romântica no réveillon. A mesa inteira chegou à conclusão de que ele estava perdido: o casamento não ia demorar muito. Nenhum homem resiste à idéia de se casar após uma viagem romântica bem sucedida.

4. Dá para acreditar que homem também mente a idade? Sem críticas: os fins justificam os meios. Principalmente quando os fins são do sexo feminino e têm belíssimos olhos verdes.

5. Um dos nove caras da mesa era um índio, amigo do meu irmão. Ele trabalha com TV, mas também escreve letras de música. Em um momento especial, ele se levantou e começou a declamar sua obra.

6. Passamos boa parte do tempo discutindo o que é melhor, chopp ou cerveja. Uma discussão que não chegou a lugar nenhum (como todas as outras da noite, aliás).

7. Como muitos que estavam na mesa eram amigos de infância, lembramos de uma história muito engraçada. Um amigo nosso precisava muito de grana e começou a vender os discos do irmão mais velho – sem o cara saber, claro. Era muita sacanagem, mas os discos eram tão bons que um dia um dos que estavam presentes ontem acabou comprando um. Aí ele chegou em casa com o LP e foi tirar da capa para tocar na vitrola (nossa, vitrola é muito velho). Sabe o que aconteceu? Caiu um monte de dinheiro de dentro da capa! O irmão do nosso amigo guardava a grana dentro desse disco! O cara que comprou jurou que devolveu, embora a mesa tenha chegado à conclusão de que era mentira.

8. Um dos amigos apresentou uma teoria conspiratória segundo a qual o governo americano paga a indústria do cinema para fazer lobby a favor dos carros e do petróleo. O filme ‘Carros’, por exemplo, é um instrumento para incentivar as crianças a gostar de carros. ‘Transformers’ é para adolescentes, e por aí vai. “O governo quer passar a mensagem de que gasolina é algo bom”, defendeu meu amigo. Todos concordaram.

9. Um dos caras presentes (e um dos mais engraçados) contou a melhor história da noite; nem sei como a deixei de fora antes. É o seguinte: quando ele era criança, costumava ver alguns Hare Krishnas andando por aí e sempre ficou curioso. Até que um dia, um deles o convidou para conhecer o interior do templo, sei lá, da casa onde eles moram. Meu amigo, desconfiado, parou para ouvir e o Hare Krishna disse que seria servido um lanche com refrigerante, etc. Meu amigo, meio faminto, aceitou o convite e entrou na casa. Ali ele viu uma bela mesa de lanche, com sanduíches, refrigerantes, bolos, etc. Mas antes que ele pudesse atacá-la, os Hare Krishnas disseram que todo mundo primeiro tinha que assistir a uma palestra. Aí estava o golpe: as pessoas entravam e ficavam lá, ouvindo aquela conversa toda (“hare hare, Deus, hare hama…”, etc.), esperando para atacar a mesa de comida. O que eles não sabiam, no entanto, é que nessa hora todo os Hare Krishnas do templo (com exceção dos que estavam fazendo a palestra) desceram de seus quartos devagarzinho, atacaram a mesa e não deixaram quase nada. Quando a palestra acabou, meu amigo e o resto do pessoal quase quebraram o templo porque a mesa estava vazia. Enganar alguém desse jeito passou a ser chamado pela mesa de ‘Golpe dos Hare Krishna’ e passamos a lembrar de vários ‘golpes’ semelhantes.

Quem quiser outra opinião sobre a noite, acesse o blog de outro cara que estava lá, meu amigo Miguel.

Enfim, mais uma noite de muito (pouco) conteúdo. Mas que foi divertida, ah, isso foi. Como sempre, aliás.

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