Neymar, não vai se achar

Estadão

03 de maio de 2010 | 14h05

Neymar, atacante do Santos: Show de bola e irreverência

Neymar, atacante do Santos: Show de bola e irreverência

Não costumo falar muito sobre futebol por aqui. Em primeiro lugar, porque o Estadão tem caras muito melhores que eu escrevendo sobre o assunto na seção de Esportes. Em segundo, porque acho muito clichê discutir futebol em um blog chamado ‘Palavra de Homem’. Fica muito fácil para elas reclamarem que a gente só sabe falar disso, né? Pois é.

Hoje vou abrir uma exceção. Mas você vai perceber que o texto não é exatamente sobre futebol, apesar de ser sobre um personagem intimamente ligado a esse tema. Esse é um texto em homenagem a um cara de quem tenho ouvido falar muito nos últimos tempos. O nome dele é Neymar.

Não vou puxar o saco do moleque: depois do título Paulista conquistado ontem, já deve haver gente suficiente fazendo isso. Só estou aqui para falar de um cara que tem sido chamado de ‘gênio’, ‘sucessor do Pelé’… e acabou de fazer 18 anos.

Eu sei um pouco sobre o assunto, afinal, já tive 18 anos – até falei aqui sobre essa época há pouco tempo. Já se passaram alguns anos, mas lembro bem da sensação de poder que emana da energia de alguém que tem 18 anos. É tudo muito rápido, intenso. Não existe nada mais importante que a palavra agora.

Imagino o que anda passando pela cabeça do Neymar. O cara deve estar se achando o melhor do mundo – e isso nem é culpa dele. Hoje em dia a mídia (nós, jornalistas, principalmente) é tão influente que deve ser difícil para Neymar ficar imune a tanta injeção de egocentrismo artificial em suas jovens veias.

Deve mesmo ser muito bom ter 18 anos e estar no topo do mundo. E Dunga tem, sim, que convocá-lo para a Copa do Mundo, simplesmente porque ‘futebol é momento’, como diriam os frequentadores de mesas-redondas. Não adianta levar jogadores que estavam arrebentando há seis meses e que hoje estão… arrebentados.

Claro que Neymar tem que aproveitar essa boa fase. Não quero soar paternalista (nem chato) e dizer que o garoto ‘tem que colocar a cabeça no lugar’, ‘ficar longe das más companhias’, etc. Quer dizer, ele tem, sim, que fazer isso. Mas também tem que se divertir, curtir o momento. O mais importante é ter a noção de que nada é para sempre: seu sucesso só vai durar enquanto durar seu brilho em campo. O Brasil está cheio de exemplos de jogadores que fazem escolhas erradas e acabam encerrando a carreira mais cedo. Quase aconteceu com o amigo dele, o Robinho.

Cabeça no lugar, Neymar. Não vai se achar, cara. Seja humilde; eu sei que é difícil. Você tem talento para se tornar um dos grandes nomes do futebol mundial. E uma última coisinha: você já pensou em jogar no Corinthians? Seria a melhor jogada da sua vida.

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