Não me chame de fofo

Felipe Machado

24 de fevereiro de 2011 | 14h24

De uns tempos para cá, as mulheres apareceram com mais uma estranha (e ridícula) mania: adoram chamar alguns homens de ‘fofos’. Se você é um gente fina, querido, legal e confiável, muito cuidado: mesmo sem querer, você pode ser automaticamente classificado como um cara ‘fofo’. Tudo bem, eu sei que a mulher tem uma tendência a infantilizar o homem, mas assim já é ridículo. Vocês não precisam disso, ou, pelo menos, não deveriam precisar. É uma contradição para quem busca a igualdade de forma tão obsessiva.

Antes de mais nada, vamos deixar uma coisa bem clara: eu não sou fofo. Não estou nem perto de ser fofo. Posso estar um pouco acima do peso, reconheço. E acredito que até consigo rejuvenescer alguns anos quando faço a barba com mais capricho. Mas estou a milhares de quilômetros de distância de ser considerado ‘um fofo’.

Bichinhos de pelúcia são fofos. Recém-nascidos são fofos. Ursos pandas são fofos. Não quero assustar ninguém, mas se eu ouvir alguma mulher se referindo a mim como ‘fofo’, vou virar bicho. Ou melhor, bichinho de pelúcia – desde que seja o maligno Chucky, o brinquedo assassino.

Não há, afinal, nada de errado com o adjetivo ‘fofo’ em si. O que não gosto é a forma como ele é usado. Minha filha, por exemplo, é fofa. Ela diz coisas fofas, faz coisas fofas e sorri de um jeito que dá vontade de apertar suas bochechas até ela pedir para o papai parar. Meu cachorro, um Yorkshire com 12 centímetros de comprimento, também é outro exemplo de algo ‘fofo’.

Como se vê, muitas coisas no mundo são fofas. Eu, não. Sou um corintiano de quarenta anos, ex-guitarrista de heavy metal e tenho um saco de boxe na minha varanda. Não tenho nenhum elemento de fofura em comum com a minha filha ou com meu cão.

Daí você vai perguntar: ‘mas por que ficar bravo com uma coisa tão insignificante?’ Insignificante para você, que deve ser uma pessoa fofa. Eu não sou. Tenho um nome a zelar. Uma reputação. Uma fama de mau que pode desaparecer a qualquer momento. Se algum amigo meu ouvir a frase ‘o Felipe é um fofo’, nunca mais poderei sair de casa.

Ser fofo significa ser inofensivo. E a última coisa que um cara como eu quer ser é inofensivo. Os fofos são ‘café-com-leite’ para as mulheres. Elas te veem como um amiguinho, não como um homem. Eu não quero ser visto como amiguinho, nem pelas minhas amiguinhas. Uma coisa é ser confiável, legal, simpático, amigo. Outra é ser fofo.

É bom vocês, mulheres, começarem a pensar em outro adjetivo para designar caras como nós. Não quero fazer ameaças, isso não fica bem para minha imagem. Mas posso mostrar como até um cara gente boa como eu pode ser violento. É só me chamar de fofo.

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