Música é mais importante que atitude

Estadão

19 de abril de 2007 | 12h39

Keane

Fui ao show do Keane ontem com uma turma de amigos e, em meio a uma música e outra, ouvi uma frase que me chamou a atenção: “essa banda é legal, mas não tem muita atitude”, disse meu amigo Edu Collaço.

A palavra ‘atitude’ me remeteu à minha adolescência, quando eu achava que tudo na vida era ‘atitude’, ou que ‘atitude’ era mais importante até do que a própria música.

Não é, como aprendi com o tempo, a não ser que você esteja falando de uma banda de rock. Roqueiros têm que ter atitude, músicos de outros estilos, não. Os caras do Keane são muito bonzinhos? São. São bonzinhos até demais? São, novamente. E daí? Ninguém espera atitude de músicos de jazz ou eruditos, então por que teria que ser assim com um grupo pop que não tem nenhuma pretensão de ser chamado de rock?

Enfim, a banda é muito boa e o vocalista Tom Chaplin é incrível: o cara canta muito e sua voz é uma das melhores da nova geração. Quem vê aquela cara de bom moço no palco nem imagina que o vocalista acaba de sair de uma clínica de reabilitação de drogas (olha a ironia, tem gente que acha que ser doidão é sinal de atitude). Chaplin tem um característica física meio engraçada: a cabeça dele parece que não pertence ao seu corpo, é engraçado. Ele tem rosto de criança e um corpo de adulto; tem o rosto de um cara gordo, mas é magérrimo. Bom, eu não entendo nada mesmo sobre o assunto, já que a mulherada da platéia não se cansou de gritar cada vez que ele levantava os braços.

Além de Tom Chaplin nos vocais, o Keane é formado pelo baterista Richard Hughes e pelo pianista Tim Rice-Oxley. Alguém aí vai gritar: mas a banda não tem guitarra nem baixo? Não. No disco, isso até que não faz falta. Mas ao vivo achei que faz, sim, principalmente o baixo. A guitarra dá para compensar, porque o piano de Rice-Oxley simula um som pesado muitas vezes, mas o baixo fica faltando, com certeza. O som grave está lá (gravado), mas falta um baixista, um pulsar mais… orgânico.

O show em si foi muito bom, com as melhores músicas dos dois discos da banda: ‘Hopes and Fears’ e ‘Under The Iron Sea’, ambos excelentes. O som é um pouco Coldplay, só que ainda mais light, com umas pitadas de Radiohead (em trechos experimentais) e muito U2 – eles são fãs confessos e o show teve até aquele palquinho com rampinha onde os músicos tocam um mini-acústico no meio da platéia, exatamente como a turma de Bono fez na turnê do disco ‘Pop’.

É bom ver no Brasil uma bandas em ascensão no cenário mundial. A seguir, o set list de ontem:

The Iron Sea
Put It Behind You
Everybody’s Changing
Nothing In My Way (minha preferida)
We Might As Well Be Strangers
Bend and Break
Try Again
Your Eyes Open
Hamburg Song
Fly To Me
Leaving So Soon? (minha preferida 2)
This Is The Last Time
A Bad Dream
Somewhere Only We Know
Is It Any Wonder?
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Crystal Ball
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