Música clássica, moderninha e… muito louca, bicho

Estadão

17 de agosto de 2009 | 16h58

Já fui fanático por heavy metal. Também já tive uma fase totalmente obcecada por jazz. Hoje tenho um gosto musical bem mais específico: só gosto de música… boa.

Meu fim de semana teve como trilha sonora exatamente esse estilo, música ‘boa’. Ou seja, nada de pagode, sertanejo, axé, funk carioca, etc. A melhor parte de gostar de música boa é justamente não estar preso a nenhum estilo no sentido convencional da palavra, algo restritivo que não tem nada a ver com arte e música. Mas recomenda-se não torturar os ouvidos.

Esse fim de semana supermusical começou na tarde de sábado, quando fui ao teatro do CIEE, no Itaim, em São Paulo, assistir ao concerto da orquestra Bachiana Filarmônica. Não é sempre que se tem a oportunidade ver João Carlos Martins na regência, e ainda mais dando uma palhinha ao seu sempre genial piano. A novidade na apresentação era o convidado especial: Chris Brubeck. Mostrando talento no trombone, baixo elétrico e piano, o filho do imortal Dave Brubeck apresentou o 1° e 2° movimentos de seu Concerto para Trombone, além de ‘Black & Blue’, de Fats Waller (versão em que Chris também cantou), ‘Unsquare Dance’ (Dave Brubeck), ‘Blue Rondo à la Turk’ (Dave Brubeck) e ‘Autumn Leaves’. Antes, a orquestra já havia apresentado a Sinfonia n° 40 em Sol Menor de Mozart.

Para quem quiser/puder: Martins e Dave Brubeck se apresentam no dia 2 de outubro com a Orquestra Bachiana no Lincoln Center, em Nova York. No repertório, Villa-Lobos e a homenagem que Brubeck compôs para Chopin, ‘Thank You’.

Veja versão exclusiva para TV Estadão com João Carlos Martins e Chris Brubeck tocando ‘Autumn Leaves’

À noite, um programa moderninho: show da banda Little Joy, no Via Funchal. Sempre fico com um pé meio atrás quando ouço falar de algum projeto que envolve alguém ligado à banda Los Hermanos. Confesso que é um pouco de preconceito, ‘pré-conceito’ mesmo. Acho que a banda exerce um fascínio sobre um certo tipo de público que não me incluo, daí a sensação. E mais uma vez estou errado, o que prova que qualquer tipo de preconceito é besteira: o Little Joy, com o ex-Hermano Rodrigo Amarante à frente, no vocal e guitarra, é uma banda muito legal. Não, eles não vão revolucionar a música ou mudar o mundo. E nem é o caso. A ideia da banda de Amarante, Binki Shapiro (teclado e vocais) e Fabrizio Moretti (baterista do Strokes, que aqui toca guitarra) é se divertir. E fazer música boa. Eles conseguem com sobra, de forma despretensiosa e com joie de vivre.

O som é exatamente o que se espera deles, ou seja, uma mistura de Los Hermanos com Strokes. Mas há o elemento Binki Shapiro, uma garota linda que dá um toque muito especial ao som da banda. Ela traz uma certa ingenuidade, uma pureza que contrasta bem com as melodias dramáticas de Amarante e as batidinhas modernosas à la Strokes.

Veja o vídeo de ‘Next Time Around’, do Little Joy

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