Morreu Michael Jackson (Por que eu não consigo acreditar nisso?)

Estadão

25 de junho de 2009 | 20h00

Michael Jackson

Morreu Michael Jackson. Morreu Michael Jackson. Morreu Michael Jackson.

Continuo sem acreditar. Nunca pensei que eu fosse escrever essa frase, não porque ele seria uma pessoa imortal (sua música definitivamente é), mas porque é uma frase tão irreal quanto foi a existência desse incrível artista.

Sempre fui fã de Michael Jackson, antes que você pergunte. Portanto, tudo o que eu escrever aqui está sendo fruto de uma forte emoção. O dia da morte de Michael Jackson, o momento em que a gente ouve a notícia pela primeira vez, vai ficar marcado para sempre na nossa memória, da mesma forma que sempre lembramos onde estávamos quando John Lennon morreu, quando Elvis Presley morreu, quando Frank Sinatra morreu.

Nos últimos anos, a carreira de Michael ficou relegada a segundo plano, principalmente graças aos escândalos sexuais em que ele se meteu. Ele foi absolvido, sim, mas ficou marcado pela ideia bizarra de que um cara de 40 e poucos anos dormia com crianças na própria cama, além de brincar com elas em seu parque de diversões particular. Isso tudo fez com que as pessoas esquecessem do artista genial que ele foi no passado, do sucesso igualado apenas pela Beatlemania, dos números superlativos de vendas de discos.

(Veja matéria da TV Estadão)

Não cheguei a ver o Jackson Five ao vivo, não era da minha época. Mas vi a ascensão do Michael Jackson em carreira solo, quando ele lançou ‘Thriller’, em 1982. Só se falava de Michael, só se tocava Michael nas rádios, era uma febre como eu nunca vi e como nunca surgirá de novo. Hoje o sucesso é tão fragmentado entre milhões de pessoas que não há mais espaço para um artista tão grande quanto Michael Jackson. Ele é maior do que a soma de todos.

Michael nasceu em 29 de agosto de 1958 em Gary, Indiana, e foi o sétimo de nove filhos. Sua genialidade foi reconhecida logo cedo, quando começou a gravar com o Jackson Five, banda formada com seus irmãos. Em 1972 ele lançou o primeiro disco solo, ‘Got to be There’. Sucesso total. Mas foi em 1979, com ‘Off the Wall’, que ele virou um gigantesco ídolo mundial. Dois anos depois, sua parceria com o produtor Quincy Jones deu à luz o disco mais vendido da história da música: ‘Thriller’. Como imaginar um disco que teve sete de suas nove músicas no Top 10 das paradas? Como imaginar que um simples disco venderia mais de 100 milhões de cópias?

Por uma razão muito óbvia: ‘Thriller’ não era um simples disco, assim como Michael Jackson não era um simples artista. O ‘Rei do Pop’ lançou, cinco anos depois, o também bem-sucedido ‘Bad’, e em 1991 veio o ótimo ‘Dangerous’. Esses discos são tão bons, mas tão bons, que ficarão para sempre gravados na história da música. Em 2001 ele ainda lançou ‘Invincible’, mas já estava claro que não tinha mais a força e a energia de antigamente.

É importante ressaltar que Michael Jackson não foi apenas um cantor; ele foi um performer, talvez o maior que já existiu. Michael cantava, compunha, dançava, gravava vídeos incríveis e originais – Michael surgiu na época do nascimento da MTV, e provavelmente o canal musical não teria alcançado o mesmo sucesso se não fosse por ele.

Vi Michael Jackson ao vivo duas vezes, nos dois shows que ele fez no Morumbi em 1993. Foi mágico. Vê-lo em pessoa, mesmo sabendo que algumas de suas bases/vozes eram pré-gravadas, foi algo inesquecível. Infelizmente, não tão inesquecível quanto esse triste dia de hoje. Michael Jackson morreu. A música – e uma parte da vida de milhões de pessoas – morre um pouco com ele.

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