Meu ídolo Homer Simpson

Estadão

21 Maio 2007 | 15h59

homer

Na estréia da minha coluna ‘Palavra de Homem’ no JT, há mais de um ano, (sai todos os domingos na Revista JT) afirmei que todo homem é metade Brad Pitt, metade Homer Simpson. Acho que exagerei. Com exceção do próprio Brad Pitt (que é 100% Brad Pitt, claro), acho que essa proporção é bem desequilibrada: estamos muito mais para Homer Simpson.

Eu, pelo menos, confesso que estou mais para Homer do que para Brad. Eu e ele temos 36 anos e somos casados, por exemplo (não casados um com o outro, antes que venha a piadinha). Em um dos meus episódios favoritos dos Simpsons, Homer dá de presente de aniversário à mulher, Margie, uma bola de boliche. Ele joga boliche, ela não, mas isso é apenas um detalhe. Isso me lembrou o aniversário da minha mulher, ocasião em que tentei comprar uma guitarra novinha de presente para ela. Era uma Fender Stratocaster ano 1957, utensílio doméstico que a gente precisava muito lá em casa. Não sei por que ela não concordou com a idéia.

Sou fã do Homer porque ele representa o homem comum, o cara cuja felicidade esconde-se em frente à TV e cabe num saco de salgadinhos. Ele não sabe, mas é um filósofo pós-moderno dos mais importantes. “Se uma coisa é muito difícil de fazer, então não vale a pena tentar”, costuma aconselhar o filho Bart. Esse niilismo existencial é claramente influenciado por Nietzsche. Antes de fazer uma prova na faculdade, Homer divaga: “Muito bem, cérebro, você não gosta de mim e eu não gosto de você. Vamos acabar logo com isso para eu poder voltar a matá-lo com cerveja”. Notou a teoria da lógica aristotélica aplicada ao mundo real?

Ontem, no canal pago Fox, começou a 18º temporada dos Simpsons. Foi muito bom, principalmente a participação do Metallica e das referências ao Poderoso Chefão. Minha mulher também adorou, principalmente porque o programa passa exatamente na mesma hora das mesas redondas de futebol – que ela, obviamente, odeia. Não chego ao extremo de dizer que troquei o futebol pelos Simpsons, mas hoje em dia a pele amarelada dos personagens me seduz mais que a amarelinha dos discípulos de Dunga. Pelo menos o Corinthians deu um show no Cruzeiro (3 a 0) e lavou a nossa alma.

Os Simpsons, para mim, são os Beatles do desenho animado. Homer pode não ter o talento de John Lennon, mas pelo menos Margie Simpson é mais engraçada que Yoko Ono.