Mais uma espiadinha

Estadão

08 de janeiro de 2008 | 16h40

bbb

Começou ontem mais um Big Brother, ai ai ai…

No início era até interessante, poder observar o comportamento das pessoas e prestar atenção em como reagiam a determinadas situações, como grandes primatas em cativeiro… até que o elenco começou a ser escolhido apenas de acordo com as características físicas dos ‘personagens’ e o programa passou a ser um desfile de músculos, barrigas saradas e seios gigantes. Agora só dá para assistir sem o som, até porque se a gente esperar um pouco pode conferir as garotas mais interessantes nas revistas, daqui a alguns meses.

Como o assunto acaba sempre caindo no gosto popular (pelo menos do meio do programa para frente), publico aqui um post antigo, do início do ano passado, quando passei pela experiência de ser um Big Brother durante cinco horas. Foi uma experiência interessante e engraçada, que também foi publicada numa matéria do Jornal da Tarde. Enfim, vamos lá:

‘Muito prazer: eu sou um ex-BBB. Apesar de ter ficado apenas cinco horas dentro da casa, já posso me considerar um ex-Big Brother. Será que isso significa que também posso cobrar para aparecer em festas ou que já que estou credenciado para atuar na novela das oito?

A coletiva de imprensa para a apresentação do ‘Big Brother Brasil 7’, ontem à tarde na Globo, foi uma simulação real do programa. É isso mesmo: nove jornalistas (inclusive este que vos fala) confinados na casa, vivendo as mesmas situações dos big brothers da ‘vida real’ (se é que é um reality show pode ser considerado ‘vida real’). Tive direito até a entrar no confessionário (foto) – não para eliminar algum dos meus colegas, mas para entrevistar o Boninho, diretor do programa.

Isso significa obedecer cegamente à uma voz sem rosto, conversar com uma câmera de TV e sentir-se como um rato de laboratório. Porque é exatamente isso que um big brother é: um ser humano observado por um quantidade infinita de espelhos, sem a menor noção do tempo (eles mandam tirar o relógio antes de entrar na casa) e com uma constante vocação para falar o que vem à cabeça. Não há nada mais a fazer.

No início, os microfones e as câmeras incomodam como uma forma de opressão cinco estrelas, mas o que mata mesmo é o tédio. Não há televisão (a não ser aquele plasma em que Pedro Bial conversa com a gente, como um fantasma global vindo do além), não há livros, não há música. Não há, enfim, qualquer informação exterior. Isso nos deixa apenas uma saída: conversar. Fofocar e fazer intrigas seriam os termos mais exatos. É, também por isso, que os big brothers passam tanto tempo comendo e perdendo o que comeram na academia. O resto é uma mistura de pousada, hospício e clínica de reabilitação. Deve ser por isso que o álcool é racionado.

Entre os jornalistas confinados, infelizmente não havia nenhuma Grazzi, nem Sabrina Sato. Ainda bem que eu só fiquei cinco horas por lá.’

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