Mais um post de Carnaval

Estadão

31 Janeiro 2008 | 18h01

Fui criticado pelo post anterior porque ele já havia sido publicado anteriormente. Então agora há duas vezes mais razões para me criticar: aqui vai mais um texto publicado previamente, este um pouquinho mais antigo: saiu no Jornal da Tarde em 26 de fevereiro de 2001, um dia depois que eu desfilei pela Gaviões da Fiel.

(Só vou publicar aqui o texto INÉDITO de Carnaval no domingo ou na segunda-feira, já que acabo de saber que terei que cobrir o Carnaval diretamente do Sambódromo do Anhembi. Eu e minha boca grande: por que eu fui falar que não gostava de Carnaval? Agora eu vou ter que ficar no Sambódromo durante horas e horas… me dei mal.)

O dia seguinte

Acompanhei de perto o desfile da escola de samba Gaviões da Fiel na noite
de ontem. De perto, não: de dentro. Para ser mais específico, na ala dos convidados. Foi meu primeiro desfile e, finalmente, consegui entender porque o Carnaval desperta tanta paixão nos brasileiros.

Tudo começa na concentração, local reservado para a preparação e últimos
retoques da escola. Enquanto eu conversava com alguns ‘manos’ sobre a ‘boa’ fase do Corinthians (Nota do blogueiro: Não me lembro direito, mas pelo jeito o Corinthians estava mal na época … mas pelo menos estava na primeira divisão), garotas se maquiavam, aplicando brilhos pelo corpo. Sempre protegidas, claro, por um bando de homens que não se preocupavam em esconder a empolgação.

Aos poucos, a massa humana foi se formando, ao lado de carros gigantescos e adereços de gosto duvidoso. Tudo muito dourado, muito brilhante, muito… cafona. Mas esse exagero é motivo de orgulho para os integrantes e reverenciado pelo público. “É para ofuscar as outras escolas”, disse um
carnavalesco.

Pouco antes do desfile, também pude elucidar uma dúvida que sempre me
perseguiu: como aquelas pessoas, com fantasias pesadíssimas e
desconfortáveis, conseguiam subir nos carros alegóricos? A resposta é, de
certa forma, óbvia: em um guindaste, auxiliadas por um bombeiro.

É muito fácil decorar o samba-enredo. É só prestar atenção na primeira das milhares de vezes que ele toca. Se alguém se esquece de alguma parte da letra, é só balbuciar ‘…bateria’ ou ‘…riquezas’ que ninguém percebe. Afinal, todos os sambas-enredo do mundo são exatamente iguais. E é assim que o povo gosta.

O desfile em si é muito divertido. A troca de energia entre o público e a
escola é autêntica: a multidão reage como torcedores quando o time marca um gol. E a Gaviões, especialmente, é isso mesmo. Uma grande torcida que, pelo menos um dia do ano, esquece da outra paixão.

Fiquei impressionado como o tempo passa rápido na avenida. Você dança pra
cá, samba prá lá (mesmo sem saber sambar) e, quando começa a ficar gostoso, acaba. Acho que o sentimento de ‘querer mais’ é o que vicia.
Mas tudo bem. O ano passa rápido.

(O texto dá a impressão que eu voltaria a desfilar no ano seguinte, o que não aconteceu. Quem sabe no ano que vem.)