Mais um feliz Dia das Mães

Estadão

10 de maio de 2009 | 07h00

Querida mãe,

em primeiro lugar, me desculpe por escrever esse texto especial de ‘Dia das Mães’ em formato de ‘Carta à Mãe’. Eu sei, eu sei, é um clichê de quinta categoria. Não me veio nenhuma ideia melhor à cabeça, confesso. Mas tenho uma boa desculpa: depois de pensar exaustivamente sobre uma abordagem original para o tema ‘Dia das Mães’, descobri que não importam as teorias sobre a influência da maternidade no comportamento do indivíduo ou a relevância da figura materna na definição da personalidade. A única referência sobre esse tema que a gente tem na vida é mesmo a nossa mãe. Neste caso, você.

Até pensei em escrever sobre o amor das mães de filhos adotivos, que enfrentam a burocracia para conseguir adotar uma criança. Já é tão difícil para um casal tomar essa decisão… tenho pena de quem luta para atender a todas as exigências do Estado. Claro que é importante analisar o perfil dos pais, mas fico imaginando tantas crianças abandonadas pelo mundo… Não sei como alguém que diz amar crianças pode acreditar que um bebê africano passando fome em um orfanato na Somália vai ter uma vida melhor do que teria na casa da Madonna. Não vai. Desculpe não ser hipócrita. Foi você quem me ensinou a falar a verdade, mesmo quando ela não é tão bonita.

Aproveito o Dia das Mães para agradecer as inúmeras coisas que você me ensinou. Fico pensando se alguns políticos não tiveram mãe para ensinar-lhes o que era certo ou errado. Afinal, nem precisava ser uma mãe tão boa assim para ensinar que era errado dar passagens aéreas pagas com o dinheiro do povo para a namorada fazer compras em Miami. No fundo, acho que todo mundo sabe o que é certo ou errado. O que nos diferencia é admitir isso para nós mesmos. E tomar as decisões corretas na vida baseadas nisso. Eu sei, é difícil.

É difícil tomar decisões corretas o tempo inteiro. Somos tão humanos… No meu caso, juro que estou tentando. Costumo errar com frequência, mas às vezes – olha só, que surpresa – até você erra. Não sei se você sabe, mas já tenho quase quarenta anos, apesar de você achar que ainda sou aquele garoto de dez. Às vezes, um de nós está errado. Às vezes, é você. Incrível, não?
Obrigado mais uma vez por tudo. Sou quem eu sou graças a você, para o bem e para o mal. Como você sabe, estamos em uma crise econômica. Você não se incomodaria se esse texto fosse seu presente hoje, não é? Se você guardar bem, tenho certeza de que ele vai durar bem mais do que as flores que eu dei no ano passado.

Feliz Dia das Mães, mãe.

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