Luz, câmera… pancadaria

Estadão

26 de outubro de 2009 | 15h06

Sandra Bullock
Sandra Bullock: Ela é a atriz principal de ‘A Proposta’, comédia sem graça que tem apenas uma cena muito boa

Ainda não estreou por aqui, mas em um festival de cinema em Nova York tive a oportunidade de assistir a um dos filmes mais violentos que já vi na vida. Bronson conta a história de Michael Peterson – um fortão que aos 19 anos, após ser preso pela primeira vez, adotou o pseudônimo ‘Charles Bronson’ e decidiu que ia ser o prisioneiro mais famoso da Inglaterra (clique aqui para ver o trailer).

Bronson está preso há 34 anos – 30 deles passados numa solitária. Toda vez que está para sair do isolamento, Bronson ataca os policiais com tanta violência que acaba sendo encarcerado com uma segurança ainda maior que a anterior.

A interpretação de Tom Hardy no papel principal e a direção de Nicolas Winding Refn são incríveis, mas é óbvio que estamos diante de um filme sobre a vida de um idiota com sérios problemas mentais. Por que, então, Bronson está fazendo tanto sucesso nos Estados Unidos? Só consigo ver uma razão: nós, homens, adoramos filmes violentos.

Tem sido assim desde sempre, basta ver a história do cinema. No início foram as grandes produções de Hollywood, com escravos torturados e multidões morrendo em batalhas sangrentas. Depois foram os clássicos militares, com conquistas (americanas) nas grandes guerras mundiais. Aí vieram as artes marciais, os massacres de índios nos faroestes e os duelos dramáticos entre mocinhos e bandidos. Os anos 70 foram divididos entre mafiosos e traficantes; impossível até hoje descobrir quem disparou mais balas e quem matou mais gente. Uma década depois, os cinéfilos formaram duas gangues: os que queriam que Sylvester ‘Rambo” Stallone fosse o presidente do universo e os que queriam ver Arnold ‘Terminator’ Schwarzenegger exterminando os criminosos do futuro.

Hoje ficamos grudados na poltrona para ver serial killers e os gângsteres pós-modernos de Tarantino. É possível não gostar dos malucos violentos e tagarelas de Cães de Aluguel e Pulp Fiction?

Mulheres, por sua vez, odeiam ver caras se matando no escurinho do cinema. Talvez seja hora de dar o braço a torcer (como em um golpe do Bruce Lee) e aceitar ver uma comédia romântica com ela. Eu sei, não tem nada mais chato. Outro dia vi A Proposta; o filme é tão açucarado que quase tive um ataque de diabetes. Só valeu pela cena em que Sandra Bullock aparece meio sem roupa.

Esse é um bom momento para ir ao cinema, já que a 33ª Mostra Internacional está em cartaz. Seria tão bom se a programação agradasse aos gostos de homens e mulheres… Será que tem algum filme com a Penélope Cruz de biquíni matando um monte de terroristas depois de se apaixonar à primeira vista? Isso sim seria cinema-arte.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: