Liberdade nunca é demais

Estadão

03 de outubro de 2010 | 01h00

Weslian Roriz dá risada do Brasil: Joaquim Roriz é tão ficha suja que sua mulher teve que ser candidata por ele no Distrito Federal. Já que usaram o slogan ‘Mulher-Pêra’, a patética Weslian poderia usar ‘Mulher-Laranja’

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas, de um povo heroico o brado retumbante. E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos, brilhou no céu da Pátria nesse instante.

A primeira estrofe do Hino Nacional é um relato da cena em que Dom Pedro declara a nossa independência. Sem desvirtuar os versos decassílabos de Osório Duque-Estrada, é possível dizer que o texto é tão fiel à cena, que poderia ser considerado uma descrição jornalística do histórico momento.

O jornalismo, portanto, faz parte do DNA do nosso país. E isso nos lembra que não há jornalismo sem liberdade, assim como não há liberdade sem jornalismo.

Temos visto recentemente a disseminação de uma perigosa tendência de críticas à imprensa, a velha mania de culpar o mensageiro pela mensagem. Teve gente dizendo até que o problema atual é o ‘excesso de liberdade’, como se fosse possível imaginar as palavras ‘liberdade’ e ‘excesso’ na mesma frase.

Essa onda neo-autoritária tem renascido em sentenças judiciais suspeitíssimas, interpretações criminosas da Constituição e até em arroubos desequilibrados de políticos bastante populares.

Desculpe, leitor, mas nunca imaginei que escreveria sobre censura em pleno século 21. Essa palavra suja me remete a um tempo que gostaríamos de esquecer – ou melhor, de apagar. Uma época em que notícias importantes tinham que ser tiradas à força das páginas e substituídas por trechos de outro texto simbólico, ‘Os Lusíadas’, ou por irônicas receitas de bolo.

Talvez se eu escrever a palavra à exaustão (censura, censura) alguém acredite que é fundamental eliminá-la de uma vez por todas do vocabulário da nossa jovem democracia.

Hoje é dia de eleição. Se você já votou, espero que tenha escolhido bem seus candidatos. Se ainda não votou, por favor escolha com seriedade. Eleição não é piada.

Sei que é difícil acreditar nisso depois de passar tantos dias assistindo ao horário político gratuito, o brado retumbante mais ridículo do nosso povo heroico.

Vi bandidos defendendo a segurança e analfabetos enaltecendo a educação. O horário político não democratiza a informação, ele desmoraliza a democracia. Principalmente pela presença de ‘sub-celebridades-laranjas’, usadas por partidos desonestos para atrair debochados e ignorantes. E isso me faz voltar ao nosso Hino: já imaginou como ele seria se passasse pelas mãos de um censor?

“De um povo heroico o brado retumbante?’ Nada de valorizar esse pessoal que exige independência. ‘De poucos insurgentes a voz isolada’ fica melhor. ‘Sol da liberdade em raios fúlgidos’? Muito elogioso. Que tal ‘raios da lua minguante em noite nublada…’

Foto: Clayton de Souza/AE

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