Homens na cozinha

Estadão

27 Novembro 2006 | 11h57

Alex Atala

Não sei cozinhar. Não, isso não é modo de falar, nem exagero. Não tenho a menor noção do que é cozinhar. Por mais que me expliquem, não consigo entender o que significa ‘dourar’. Para mim, ‘refogar’ quer dizer ‘afogar duas vezes’. ‘Untar’, então, só pode ser palavrão.

De uns tempos para cá, criou-se a idéia de que o homem que cozinha é um bom partido. Se é verdade, está para nascer pior partido do que eu. Ainda bem que já casei. Imagino que Alex Atala ¨(foto) se dê muito bem com as mulheres.

É claro que adoro freqüentar bons restaurantes e até conheço razoavelmente o mundo do vinho. Só não gosto de conversar sobre temas que não entendo durante as refeições. Comida, por exemplo.

Só para se ter idéia do meu talento culinário, nos meus tempos de solteiro eu mantinha uma receita de ovo mexido grudada com ímã na geladeira. O pior é que perdi a receita e hoje não sei como se faz um ovo mexido. Olho a frigideira e vejo que ela não gosta de mim. Mas tudo bem: eu também não gosto dela.

Apesar disso, consigo me virar sem passar fome. Acho que a invenção do fogão foi importante para a humanidade, mas a do telefone foi muito mais. Dizem que a comida americana não é muito boa, mas meu prato preferido é em inglês: delivery.

A verdade é que o mundo da gastronomia é fascinante, mas um tanto distante dos mortais. Há pouco tempo, ninguém tinha coragem de dizer que era ‘cozinheiro’. Hoje, com o termo chef, ninguém mais tem vergonha. Gostaria que alguém me explicasse quem são os chefes dos chefs. Ou será que todos os chefs também são chefes?

Minha total falta de noção, no entanto, não me impede de criar pratos incríveis e originais, baseados apenas na minha observação e inacreditável criatividade culinária. Outro dia inventei uma receita que até recebeu elogios de amigos que entendem do assunto: o cheeseburger mineiro. A receita é bem complexa: um pão de queijo grande com um hambúrguer no meio. Será que já posso me considerar um chef?