Go Speed Racer (o desenho, não o filme)

Estadão

05 de dezembro de 2007 | 18h34

mach 5

Aposto que qualquer um com a idade próxima da minha vai querer ver um filme que está prestes a estrear nos Estados Unidos: ‘Speed Racer’. Sei também, claro, que por melhor que o filme seja, todos nós vamos odiá-lo.

Por que? Ora, por razões tão óbvias que não preciso nem mencionar aqui, né? Preciso? Está bem.

Em primeiro lugar, porque vamos nos lembrar de quando éramos crianças, e de como tudo era tão melhor/mais legal/mais divertido/mais feliz. Não era, claro. Tinha momentos bons e ruins, como todas as vidas têm. Mas a nossa memória seletiva sempre exclui as partes chatas, as brigas com os amigos, as aulas de Biologia e tudo mais. Então, a gente vê o filme do ‘Speed Racer’ e lembra de algumas coisas daquele tempo, mas com a cabeça e os olhos de hoje. Desculpe, mas não tem como não ser frustrante.

Outra razão é que, enquanto o desenho de Speed Racer criado por Tatsuo Yoshida era supertosco e artesanal, o filme deve ser um show de efeitos especiais. Como eu sei? Porque o projeto é dos escritores/ diretores/ produtores / irmãos Larry e Any Wachowski, criadores da trilogia ‘The Matrix’. O tosco era engraçado, tinha até aquele chimpanzé Zequinha… será que tem o Zequinha nessa versão? Ou será que o Zequinha virou um robô? Será que no filme aparece o mecânico Spike? (Não sei por que, mas sempre achei que o nome dele era ‘Sparta’… acho que era o som ruim da minha TV)

Última razão (pelo menos por enquanto): o Speed Racer era um desenho e, portanto, ele não existia fisicamente (apenas metafisicamente, no máximo… 🙂 Já o filme traz um homem de carne e osso, no lugar de um dos meus heróis de infância. Esse é o problema: Emile Hirsch é um ator, um cara normal. Ele nunca será Speed Racer. Ninguém nunca será Speed Racer – e isso se aplica a qualquer personagem de desenho que ‘vira’ gente.

Apesar das críticas ao filme, gostei do Mach 5! Você pode imaginar o que significa ter um carro com botões na direção que você aperta e várias coisas acontecem? Alguém se lembra de tudo o que o carro fazia? Lembro que um dos botões acionava um pombo-correio (que sempre levava mensagens quando o Speedy estava em perigo); outro acionava uma tampa que fechava a cabine, soltava oxigênio e permitia que o carro andasse embaixo d’água; outro botão acionava umas molas que faziam o carro pular sobre os obstáculos, e por aí vai. O Mach 5 é muito mais legal que o Batmóvel. Se gastam tanto dinheiro para construir carros como Jaguar ou Ferrari, por que não um Mach 5 de verdade? Imagina só eu andando de Mach 5 na Faria Lima… very cool.

Go Speed Racer!

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