Gisele, uma decepção

Estadão

30 de junho de 2008 | 10h45

gisele

Paulo Whitaker/Reuters

Eu sei que você não agüenta mais ouvir falar da Gisele Bündchen. Eu também não. Mas é que preciso desabafar com alguém: eu vi Gisele de perto e fiquei decepcionado.

Não, eu não virei gay, antes que você diga alguma coisa. É que sempre fui apaixonado pela história de Gisele, a brasileira simples e divertida que virou uma das maiores modelos da história.

Domingo passado vi Gisele de perto pela primeira vez. Fisicamente ela é mesmo incrivelmente linda. Mas se por um lado ela brilha na forma, percebi que seu conteúdo está longe de ser brilhante.

Claro que eu não esperava encontrar a neta do Einstein. Mas acho que uma pessoa que mora no exterior há tantos anos e convive com personalidades tão interessantes e poderosas tinha obrigação de ter mais a dizer. Na coletiva da Fashion Week, em vez de uma mulher de 28 anos, parecia estar ali uma garota de 14 – idade em que ela começou a ‘modelar’. Na frente de 200 ansiosos jornalistas do mundo inteiro, Gisele falou durante 20 constrangedores minutos. E não disse nada.

Foram tantos clichês que tive a impressão de estar assistindo a uma entrevista de um jogador de futebol, com todas as óbvias diferenças estéticas. No campo/passarela, eles são craques. Já fora dele… E não venha me dizer que essas pessoas vêm de infâncias humildes. Ninguém no mundo tem tantas chances e recursos para aprender quanto eles. É só querer.

Como Gisele vive falando sobre a Amazônia, indagaram sua opinião sobre a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente; ela só faltou perguntar o que era um ministério. Perguntaram se ela tinha investimentos no Brasil; Gisele disse que achava ótimo o país ter sido pioneiro na produção de carros a álcool. O que uma coisa tem a ver com a outra? Não sei. Talvez a resposta seja muito complexa para mim. Ou talvez tenha sido apenas um samba da loirinha doida.

Claro que a supermodelo nem sabe que eu existo – e está certíssima em não saber. Na verdade, Gisele, isso é só um toque. Você continua sendo a número 1 no nosso coração. E como ainda é jovem, dá tempo de se tornar a número 1 também em nossas mentes. É só querer.

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