Feliz Natal para a família que você escolheu

Estadão

22 de dezembro de 2009 | 19h26

Carla Bruni

Carla Bruni: O melhor amigo da primeira-dama francesa é um morador de rua. Estou pensando em me mudar para a Champs-Elysées

Na próxima quinta-feira é véspera de Natal, e mais uma vez me vejo obrigado a escrever sobre o tema. Já abordei nessa coluna vários assuntos ligados à data, desde os tios que ficam bêbados em reuniões familiares até a overdose de luzinhas espalhadas pela cidade, passando, claro, pelo sempre ‘inédito’ especial de fim de ano do Roberto Carlos.

Hoje resolvi falar de um tema que não é diretamente ligado ao Natal, mas que tem a ver com os sentimentos que tomam nossos corações durante essa semana especialmente repleta de emoções.

Acaba de sair pela Editora do Autor o livro ‘Sempre às Terças’, coletânea de crônicas bem-humoradas escritas por um grupo de amigos que se reúne no mesmo bar há mais de trinta anos. Entre eles está meu querido tio Reolando Silveira, que me presenteou com o livro. E daí veio a ideia: por que não tratar de amizade no tradicional texto sobre o Natal? Afinal, o Natal é um evento familiar… e os amigos são a família que a gente escolhe.

Nada mais valioso do que um amigo de verdade, alguém que você sabe que vai atender o telefone mesmo quando você ligar de porre às quatro da manhã para reclamar de tudo que te incomoda na vida (e coitada da mulher dele, aquela santa que é obrigada a aguentar os amigos do marido).

‘A amizade é um comércio desinteressado entre semelhantes’, disse o irlandês Oliver Goldsmith em mil setecentos e alguma coisa. Definição interessante. ‘Comércio’ pressupõe uma relação de compra e venda, de troca. E talvez seja isso mesmo que me atraiu nessa frase: nossos amigos têm algo que queremos, assim como temos algo que eles querem. Relações humanas são, sim, baseadas em interesses mútuos. Claro que estou falando de desejos subjetivos e interpessoais, não de algo vantajoso do ponto de vista material (a não ser numa amizade entre políticos, se é que você me entende).

Meus amigos, imagino, querem o que tenho de único, minha personalidade, minha experiência, minhas histórias. Pelo menos é isso o que busco neles: quero que sejam exatamente como são, essas pessoas maravilhosas e divertidas que eles são quando estão comigo.

Essa relação de ‘parentesco-opcional’ cai como uma luva (de Papai Noel) nessa época, porque o Natal é um bom momento para homenagear quem conviveu conosco o ano inteiro. É a hora em que aceitamos as pessoas queridas como elas são, com todas as suas qualidades, mas também com suas eventuais imperfeições e defeitos.

Feliz Natal para sua família de verdade e para essa outra da qual você também faz parte – por escolha. Aproveite que é Natal e lembre-se: não há presente melhor do que um amigo de verdade.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.