Feliz Dia dos Pais

Estadão

10 de agosto de 2009 | 12h08

Obama
Eu e Obama temos muito em comum… fazemos aniversário no mesmo dia, por exemplo

Esta semana estou vivendo pelo menos dois episódios que me comprovam explicitamente que o tempo é implacável, com tudo de bom e ruim (mais ruim do que bom, sejamos honestos) que isso traz.

Na terça-feira, fiz aniversário. Não vou dizer que completei ’39 primaveras’ porque você desconfiaria da minha masculinidade. Fiz 39 anos, mesmo. Isso é o de menos, porque quem não morre, envelhece. E eu pretendo envelhecer durante um bom tempo.

A segunda vez que penso no tempo é hoje, Dia dos Pais. É a parte boa: se estou comemorando a data com tanta intensidade é porque alguém muito especial me deu parabéns. Fiz isso com o meu, claro. Mas hoje gostaria de dizer que o Dia dos Pais é muito diferente para quem dá presente e para quem recebe.

Não há nada mais importante na vida do que minha filha. Tudo o mais parece ridículo, todos os problemas, todas as coisas que eu considerava tão importantes antes de ela nascer. Continuo tocando minha vidinha, aos trancos e barrancos de sempre. Mas hoje o item que está no topo do topo das minhas prioridades pesa 15 quilos e corre para lá e para cá sorrindo e dizendo ‘papai, eu te amo você’.

Nunca sonhei que era possível sentir um amor maior do que senti quando ela nasceu, mas aquilo foi fichinha. No dia do parto tudo estava envolto numa aura de novidade, e cada detalhezinho do seu corpo era uma descoberta emocionante. Nunca imaginei que isso só iria aumentar. Agora já conheço cada partezinha de seu corpo, e não é mais isso que me impressiona. Quer dizer, isso também, no sentido de que um pezinho que era pequeno e magrinho começa a ficar mais gordinho e apetitoso. Ou a barriguinha, que fica mais gostosa a cada mordida que passa. Mas o que mais mexe comigo é descobrir que ela está se transformando numa pessoa, diferente de quem sou, diferente de quem a mãe dela é. Ela está começando a ser cada vez mais única, cada vez mais ela. E isso me impressiona todos os dias.

Comprei um caderninho só para anotar suas frases que me levam às lágrimas, e confesso que já estou quase na metade. Quando sua filha te olha nos olhos e diz ‘parabéns, papai’, há pouco a fazer além de agarrá-la e abraçá-la forte, torcendo para que seu corpinho entre no meu coração – como se ele já não estivesse lá.

Aos 39, tenho certeza de que isso é só o começo. Quero fazer muitos aniversários para curtir as coisas boas da vida, sim, mas principalmente para vê-la crescer e se tornar uma pessoa cada vez mais… ela. A minha filha.

Feliz Dia dos Pais.

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