Feliz Dia da Criança

Estadão

12 de outubro de 2010 | 21h38


Bebel e Laurinha sempre disputam para ver quem é a Minnie. Para evitar briga, digo: ‘meninas, a Minnie… sou eu!’ Elas morrem de rir

Acordo minha filha para levá-la à escola. Bebel esfrega os olhinhos com as duas mãos, tira o cabelo do rosto e sorri: ‘bom dia, papai lindo!’

(Só de lembrar da cena, já choro de novo)

Ela vai até o banheiro, onde a Néia já a espera. Enquanto isso, me visto e fico na sala lendo o jornal. Bebel volta pouco depois, de vestidinho azul, tiara branca e tênis rosa. ‘Papai, estou bonita?’ Respondo que sim, não apenas porque sou pai, mas porque ela é, mesmo, a criança mais linda do mundo.

Bebel vem, então, como quem não quer nada, e diz com toda a seriedade: ‘papai, tenho uma ótima ideia… vamos tomar café da manhã?’

(Só de lembrar da cena, já choro de novo)

Sentamos na mesa da cozinha e Bebel escolhe, como todos os dias, o mesmo menu: suco de laranja, Danoninho de morango e uma torrada com manteiga – que ela dá duas mordidinhas e diz que não quer mais.
Nick, o nosso Yorkshire que ela chama de ‘Nickinho’, nos espera na porta abanando o rabinho. Papai pega a mochila dela (da Pucca) e filosófa: ‘papai, você vai no trabalho, eu vou na escola’.

No elevador, ela faz questão de apertar o botão da garagem. No carro, exige a música do robô (Rock That Body, do Black Eyed Peãs, onde a Fergie canta com voz metálica). Quando passamos pela enorme girafa na entrada do buffet infantil, Bebel diz que ela é sua amiga e que vai convidá-la a entrar no carro. Brinco que girafa não cabe em carro, o pescoço é muito comprido. “Cabe, sim, ela vai no meu colo!”, ela responde, dando risada.

Na escola, deixo a Bebel com a professora Vivi. Ela me dá um beijo (um, não, vários) e desaparece correndo dentro da classe. Quando saio do trabalho, pego a Bebel e a Néia na casa da prima Laurinha, minha afilhada. Ela me abraça, me dá vários beijos e se despede da Kátia, colega da Néia, e da Natália, a mamãe da Laura.

Mal entramos em casa, Nickinho já pula em cima dela e exige um passeio. Descemos com ele e, na rua, Bebel pede: ‘papai, posso ir no seu copotó?’ Ela quer dizer ‘pocotó’, mas não corrijo. Acho lindo, coloco ela nos ombros e viro um ‘copotó’.

Voltamos para casa. ‘Papai, tenho uma ótima ideia… vamos ver um desenho da Minnie?’ Vemos um pouco de DVD até a hora de ir para a cama. Leio ‘A Rata da Cidade e a Rata do Campo, a historinha campeã de audiência nos últimos tempos. ‘Boa noite, papai.’

Quando minha filha fecha os olhos, sinto uma felicidade incontrolável. Ela está segura, tranquila, alimentada, quentinha, saudável.

(Só de lembrar da cena, já choro de novo)

Comemoro o Dia da Criança sempre que minha filha está comigo, porque eu é que me sinto presenteado.

Feliz Dia da Criança para todos os pais que se esforçam, cuidam, sofrem, se preocupam com suas crianças. E, por meio desse amor, voltam a ser as crianças que um dia foram igualmente amadas por seus pais.

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