Federer: O melhor tenista de todos os tempos

Estadão

09 de junho de 2009 | 15h26

Federer - EFE/Str

Roger Federer: O tenista-e-bom-moço é uma espécie de ‘Ayrton Senna’ da Suíça

Não é preciso ser muito inteligente para saber por que eu gostaria de ser Roger Federer. Ele é apenas um bilionário de 28 anos considerado pela maioria dos especialistas como o maior tenista de todos os tempos. E que acaba de ganhar seu 14º torneio Grand Slam, justamente no templo sagrado de Roland Garros, Paris.

Aproveito para contar um episódio engraçado, que aliás eu conto com mais detalhes em ‘Ping Pong – Chinês por um mês’, livro que relata minha experiência na cobertura da Olimpíada de Pequim. O episódio aconteceu no ano passado, mas serve como base para falarmos um pouco sobre tênis…

(Aqui vai uma propaganda nem um pouco subliminar: O livro ‘Ping Pong’ está à venda nas melhores casas do ramo ou pela internet e é muito interessante 🙂

Tudo aconteceu quando cheguei, sem ingressos, ao complexo esportivo onde ficavam as quadras de tênis. Não acreditei quando vi no telão que o primeiro a jogar seria o espanhol Rafael Nadal, de quem eu também sou fã. Nadal, na época o número 2 do mundo, jogaria contra o russo Igor Andreev, o então número 23. Jogaço.

O tênis é um esporte de cavalheiros e cheio de rituaizinhos. É um jogo tão civilizado, mas tão civilizado, que tem lixinho e frigobar dentro da quadra. Você vai achar que eu estou exagerando, mas juro que eu vi dois guarda-chuvas encostadinhos num canto, um para cada jogador. E o silêncio, então? Dá nos nervos. Até desliguei o celular para não pegar mal. Quando a torcida começou a gritar ‘Nadal’, a juíza, uma gordinha inglesa supermetida a besta, começou a fazer ‘shh’ e pedir em inglês para as pessoas fazerem silêncio. Parecia até uma professorazinha primária pedindo para os alunos não conversarem. Ela é que devia ter feito a lição de casa, e aprendido a falar ‘silêncio, por favor’ em chinês.

Os tenistas colaboram para essa imagem sofisticada do tênis. A cada jogada, por exemplo, eles param e secam o rosto. Qual é o problema, é possível suar tanto assim a cada dez segundos? Será que eles têm algum problema com as glândulas sudoríparas? Ou é só frescura mesmo? Mas o mais divertido é ouvi-los dar umas gemidinhas cada vez que batem na bola. É ‘ah’ para cá, ‘uh’ pra lá; se alguém fechar os olhos, pode até pensar que eles estão tendo algum tipo de relação sexual em câmera lenta.

Uma coisa que acho meio humilhante no tênis são aqueles garotos com as toalhas na mão, esperando para entregá-las aos seus ‘patrões’. Parece até que são os mordominhos dos jogadores, apáticos e irritantemente submissos.

Nadal venceu por 6-4, 6-2, e despachou o mal-humorado Andreev para a Sibéria em menos de duas horas. Foi muito legal ver um jogo de tênis desse nível ao vivo, com Nadal no auge da forma. Mesmo assim, continuo achando que o tênis é um esporte bastante metido a besta. Por exemplo: dá para acreditar que os juízes de linha são uns mauricinhos de camisa pólo que ficam o jogo inteiro sentados numas cadeirinhas de praia ao lado da quadra? Se algum deles pedisse um Dry Martini aposto que ninguém ia estranhar. Onde já se viu um esporte ter mais juízes que jogadores, não é? Os tenistas também fazem muita pose, mas na verdade eles correm muito pouco em quadra, se a gente parar para analisar friamente. Quantos passos um jogador dá numa partida? Faça a conta. Tenho a impressão de que os grandes atletas do tênis são os catadores de bolinhas.

Fim de jogo, saí para dar uma volta e descobrir quem mais jogaria naquele dia. Adivinha? Ninguém mais ninguém menos que Roger Federer. E o suíço ia enfrentar Tomas Berdych, da República Tcheca e, na época, número 20 do mundo. Justamente o mesmo adversário que o havia eliminado da Olimpíada de Atenas, em 2004. Ou seja: outro jogaço.

Federer joga com mais elegância do que Nadal, que é um exemplo de raça (se é que dá para chamar um jogador de tênis de raçudo). Federer é o craque das jogadas de efeito, como deixadinhas e bolas no contrapé do adversário que levam a platéia ao delírio. E foi isso que aconteceu: Berdych não foi páreo para o número 1 do ranking e perdeu por 6-3, 7-6.

Para comemorar mais um dia olímpico, eu e meus amigos saímos para jantar em um dos lugares mais legais que já fui na noite de Pequim: o bar/restaurante tailandês Purple Haze, na avenida Sun Li Tun. Pedi uma ‘binde pijiu’ (cerveja gelada) e fiquei só curtindo o lugar, ouvindo a música e observando o ambiente. Pode ser que eu esteja errado, mas tenho certeza de que vi um dos juízes do tênis no balcão. Tomando um Dry Martini.

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