Ex-colegas, sempre amigos

Estadão

05 de maio de 2008 | 10h56

vanessa

Vanessa Hudgens: Na minha classe do ginásio não havia nenhuma aluna como a atriz de ‘High School Musical’. Que pena… (Foto: Mario Anzuoni/Reuters)

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Uma amiga organizou há alguns dias uma reunião de ex-colegas da escola (valeu, Adriana) e foi ótimo reencontrar todo mundo. Quer dizer, quase todos, já que alguns não foram localizados (Peter Paul, cadê você?), outros deram o cano (né, Raul?) e vários simplesmente ficaram de fora por diversas razões.

Apesar de não encontrar muitos deles há vinte anos, eu já sabia o que ia encontrar antes mesmo de chegar lá: o cabeludo, quem diria, teria ficado careca; a garota mais linda da classe engordara trinta quilos; o nerd de óculos seria hoje um megaempresário.

Foi quase isso, apesar dos exemplos não serem exatamente esses (não posso citar os casos verdadeiros pois correria o risco de não ser convidado para a próxima reunião). As perguntas entre nós também foram óbvias: ‘O que você anda fazendo?’, ‘Casou?’, ‘Separou?’ , ‘Tem filhos?’, etc.

As respostas, porém, foram diferentes do que eu esperava. Acho que porque na minha cabeça aquelas pessoas ainda estavam no mesmo lugar onde as deixei vinte anos atrás, crianças sem a menor noção do que o destino lhes reservaria. Não, o garoto bom de bola não virou jogador de futebol; não, a menina que parava o corredor não se tornou modelo internacional. Surgiram tantas variáveis no caminho, tantas realidades possíveis e impossíveis, tantos futuros que não estavam escritos naqueles antigos cadernos…

E, no entanto, são todos exatamente os mesmos indivíduos, os rostos daquela época em corpos ligeiramente envelhecidos. E isso foi o mais engraçado: pareciam apenas ter tomado um banho de tempo e trocado o figurino infantil pelas roupas com que seus pais iam buscá-los na hora da saída. Sim, muitos se parecem realmente com seus pais.

Não quero dar um ar de melancolia à festa, pelo contrário. Rimos muito lembrando como éramos ingênuos e idealistas. Me senti novamente no pátio do colégio durante o recreio, esperando o sinal tocar para voltar para a classe. Quando cheguei em casa, me olhei no espelho e estranhei não ver um garoto de uniforme, preocupado com a prova de biologia do dia seguinte. Ou melhor: para falar a verdade… eu vi esse garoto, sim. Ele ainda sou eu.

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