Eu também quero folga às segundas-feiras

Estadão

11 de abril de 2007 | 18h06

Mais uma vez: sei que aqui é um espaço para assuntos leves e divertidos. Mas o que eu posso fazer? Abro o jornal e vejo que os deputados decidiram não trabalhar mais às segundas-feiras porque ‘têm que ficar mais próximos das suas bases’. Eu também quero ficar perto das minhas bases. Quero visitar minha mãe às segundas-feiras, levar minha filha no médico, ir ao cinema com minha mulher e sair com meu cachorro. Essas são as minhas bases. Mas isso dificilmente vai acontecer. Resta, então, torcer para um deputado ter um ataque cardíaco numa segunda-feira e, ao chegar no hospital, ouvir de um médico: “desculpe, só trabalho de terça a quinta”.

Como se isso não bastasse, eles também decidiram que seus salários estavam muito baixos e resolveram se auto-conceder um aumento de R$ 12,8 mil para R$ 16,2 mil por mês. Fora as verbas extras: a Comissão de Finanças e Tributação aprovou a proposta que permite o uso das verbas de gabinete SEM NOTA FISCAL de R$ 5 mil para R$ 15 mil. Ou seja, a comissão legalizou “a graninha por fora”. O recém-eleito presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, sucumbiu às pressões e aceitou tudo caladinho. Como diria Carlos Drummond de Andrade… o nome dele dá uma ótima rima, não uma solução. Para completar, Chinaglia sugere um aumento de 82,8% ao presidente Lula de R$ 8.885,48 para R$ 16.250,42.

Qual foi mesmo o último projeto importante que você se lembra de ter visto o congresso discutir? E a Câmara Municipal de São Paulo, que aprovou a volta do famoso ‘trem da alegria’? Acertou. Nenhum, a não ser projetos em benefício deles mesmos. Sabe de quem é a culpa? Nossa, do povo brasileiro. Foi pior do que colocar o PCC para tomar conta do Banco Central: colocamos lobos para cuidar das ovelhinhas. Onde já se viu ganhar mais para trabalhar menos?

Na próxima segunda-feira, faça uma boa ação: mande um deputado plantar batatas. Na base dele, claro.

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