Eu quero o Brasil de volta

Estadão

28 de dezembro de 2009 | 11h44

Antes que você me ache maluco, eu digo que sim, eu sei que o Natal foi sexta-feira passada. Mas o que estou pedindo aqui não cabe no saco de nenhum velhinho barbudo. Para falar a verdade, não sou Papai Noel, mas eu é que estou de saco cheio das coisas que acontecem no Brasil.

Não, eu também não tenho a intenção de estragar seu réveillon. Nessa época costumo escrever sobre aquelas resoluções de fim de ano que a gente quase nunca consegue cumprir, como dedicar mais tempo à família ou ter uma vida mais saudável. Hoje, não. Se pudesse pedir um presente de fim de ano, eu queria o Brasil de volta.

Como assim? Alguém roubou o Brasil e ninguém ficou sabendo? Exatamente. 2010 é importante para todos nós, e não estou falando da torcida pela Seleção Brasileira na África. Copa do Mundo é a época em que os brasileiros adoram mostrar seu patriotismo. Estamos errados, veja só. A gente deveria mostrar que ama e se preocupa com o País no dia 3 de outubro.

O ano que começa daqui a alguns dias será marcado pela eleição para vários cargos, de presidente a deputados, em todo o País. Quero que os corruptos que tomaram os governos de todo o Brasil devolvam o País para as pessoas que trabalham, que pagam os impostos em dia, que lutam para ganhar um dinheiro honesto para sustentar suas famílias. Não dá para a gente continuar assistindo a essa gente debochada rindo da nossa cara, como se no Ordem e Progresso da bandeira estivesse escondido o complemento Ordem e Progresso – desde que esse progresso seja superfaturado e minha empresa toque a obra.

Esta é a última coluna do ano. Lutei para manter o bom humor mesmo vendo alguns escondendo dinheiro sujo na cueca e outros dizendo que fortunas não declaradas eram, na verdade, para comprar panetones para os pobres. Que caras legais, não? Dá orgulho de ser brasileiro e ver essa gente no poder, escolhidos … por nós mesmos. Tivemos de aguentar até gente agradecendo a Deus na belíssima Oração da Corrupção. É demais.

Esse desabafo serve para a gente entrar em 2010 com o coração limpo, pensar bem em quem vai votar e tirar do poder quem está levando o Brasil para casa. O Brasil não é deles, por mais que pareça.

Um amigo brincou que em vez de Feliz Dois Mil e Dez a gente deveria dizer Feliz Dois Mil e Dez Por Cento. Eu não concordo. Eu não aceito. Esse papo de ‘sou brasileiro, não desisto nunca’ é uma besteira fatalista. Sou brasileiro, ponto final. Não preciso desistir de nada, não preciso nem pensar em desistência. Eu tenho um País maravilhoso. Só quero que ele seja um lugar melhor para mim e para a minha família. Espero que isso seja possível em 2010. Só depende da gente.

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