Eternamente insatisfeitos

Estadão

03 de janeiro de 2011 | 12h24


Mick Jagger e a namorada, a estilista L’Wren Scott. A foto é de Vincent Kessler, da Reuters

Há um velho ditado não escrito que diz que todo homem casado quer voltar a ser solteiro – e todo homem solteiro quer encontrar alguém e se casar.

Não acredito que isso seja verdadeiro para todo mundo, claro. Há casais que são muito felizes juntos e, apesar dos problemas que todo casal tem, nem devem imaginar a vida sem o outro ao lado. Do mesmo jeito, tenho amigos que sofrem radicalmente de ‘casamentofobia’ e tremem só de ouvir a palavra compromisso.

Não saberia dizer qual é a porcentagem de gente que concorda com o ditado do início do texto, mas diria que é bem alta. Somos naturalmente insatisfeitos, como já cantava Mick Jagger em Satisfaction. É normal sonhar com o que não está ao seu alcance. Deve ser por isso que a grama do vizinho é sempre mais verde.

Em uma entrevista recente de Mick Jagger no The New York Times, o rockstar diz que não acredita no casamento. O vocalista dos Rolling Stones defende ‘uma relação equilibrada entre homem e mulher, uma ligação sólida mas independente’. O que significa isso? Algo que a namorada dele (há sete anos) não deve gostar muito de ouvir.

Cada um, cada um, como dizia o filósofo chinês. Durante anos, havia uma pressão muito grande para que homens e mulheres encontrassem alguém e formassem uma família. Solteirões eram considerados ‘estranhos’; solteironas eram chamadas de fracassadas. Ainda bem que não existe mais nada disso: as pessoas são livres para seguirem o tipo de vida que quiserem, para casarem ou não, separarem ou não, se internarem em um templo budista tibetano ou não. Isso é uma conquista da sociedade e nunca mais abriremos mão dela.

Tudo isso diz respeito a relacionamentos a dois, mas é importante saber que tudo isso começa com uma única pessoa: você. Ou eu, ou seu irmão, ou seu vizinho. Para facilitar, vamos usar você como exemplo. Você é do tipo que sonha com uma vida a dois? Ou prefere a liberdade para fazer o que quiser?

A chave está no autoconhecimento. Se você se conhece, sabe o que pode esperar de você mesmo. E não vai ficar se cobrando para se tornar o que você não é. Nem se decepcionar com suas próprias atitudes. Pessoas que se conhecem bem são mais felizes por uma boa razão: elas se aceitam. Elas gostam de quem são e não querem reproduzir modelos de felicidades que os outros acham ‘perfeitos’.

É bom confiar em quem você é e aceitar que essa pessoa – como todas as outras, aliás – tem defeitos e qualidades. Ninguém é perfeito, mas cada um é perfeito… em sua individualidade.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.