Entre a razão e a emoção

Estadão

14 de setembro de 2009 | 10h41

Amantes, de James Gray

Joaquin Phoenix e Gwyneth Paltrow são dois atores sensacionais em um filme delicado e profundo

Desde que o mundo é mundo se discute qual é o elemento que define se um relacionamento será bem sucedido, a razão ou a emoção. E será assim para sempre, já que esta é uma discussão sem vencedores.

Está em cartaz um filme que aborda esse assunto. Amantes, de James Gray, é um excelente retrato da encruzilhada vivida por Leonard, personagem interpretado por Joaquin Phoenix. Um breve resumo: Leonard é um cara problemático que apresenta tendências suicidas desde que foi abandonado pela ex-noiva.

Como acontece sempre que estamos confusos, o destino nos confunde ainda mais: no momento em que surge em sua vida a bela Sandra (Vinessa Shaw), filha do sócio de seu pai, Leonard conhece Michelle (Gwyneth Paltrow), uma vizinha sexy e meio maluca. O resultado é esperado. Leonard se apaixona por Michelle, ao mesmo tempo em que sua família o empurra para os braços de Sandra.

Ninguém escolhe por quem se apaixona, e não seria diferente com o nosso Leonard. O problema é que Michelle não o ama. Ela gosta de sua companhia, mas já é amante de um milionário casado, que vive prometendo que vai deixar a mulher.

O filme trata das escolhas de Leonard de maneira sensível e interessante do ponto de vista psicológico. O que ele deve fazer?, pergunta-se o público. Ficar com Sandra e viver tranquilamente ou arriscar tudo para lutar pelo amor de Michelle?

Fique tranquilo, não vou contar o final aqui. Mas fica a discussão: vale a pena viver um cotidiano de poucas e previsíveis emoções ou uma vida intensa cheia de altos e baixos? Cada um, cada um, como diz o velho ditado chinês (não sei de onde tirei que algum ditado chinês diz isso, mas tudo bem).

Estamos acostumados a viver esse dilema. Somos obrigados diariamente a fazer escolhas em que razão e emoção se contrapõem, e isso gera sempre aquela dúvida: ‘como teria sido minha vida se eu tivesse feito uma escolha diferente?’

É chato viver assim. É bom tomar decisões e assumir as responsabilidades que vêm com elas. Seria caótico se todo mundo vivesse baseado ‘no que teria acontecido se algo fosse diferente’. Teríamos bilhões de realidades paralelas, já que toda decisão gera um número de consequências igualmente e infinitamente variáveis.

Espero que isso não seja um conselho, mas vamos lá: é importante ficar com quem você gosta, mas também é importante ficar com alguém que gosta de você. Desde que o mundo é mundo, nosso objetivo é procurar uma pessoa que preencha esses dois requisitos. Boa sorte para todos nós.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.