Ela voltou! A filosofia do boteco está na mesa

Estadão

06 de maio de 2008 | 16h14

Atendendo a pedidos, ela voltou!!! A velha e eterna filosofia de boteco, tão profunda quanto… um pires. Para quem não sabe, quando saio com meus amigos gosto de anotar os papos mais, digamos, interessantes para publicá-los aqui alguns dias depois. (Se esses foram os mais interessantes, você pode imaginar as besteiras que ficaram de fora…) Nessa rodada, foram cinco caras e alguns chopes (não vou mais citar o número exato porque podem me acusar de apologia à cerveja, como já aconteceu). Antes das costumeiras acusações infundadas, sim, eu voltei de táxi. Então vamos lá:

1. Um dos presentes ficou a noite inteira reclamando que teve que passar o dia no cartório, assinando não-sei-quantas vias de documentos e xerox autenticadas. Mas o que ele mais odiou (e repetiu isso centenas de vezes) foi aquele carimbo com uma ‘mãozinha’ indicando onde ele deveria assinar. “Esses caras acham que eu sou um idiota? É só mostrar onde tenho que assinar, não precisa daquela mãozinha ridícula! É um absurdo!”, repetia, revoltado. Todos foram solidários: “Realmente, aquele carimbo da mãozinha é palhaçada”, concordamos (apenas para não contrariar).

2. Ronaldo, Ronaldo, Ronaldo. Por razões óbvias, o assunto mais discutido na mesa. Metade da mesa achou que o episódio tinha relação com compra e consumo de cocaína; a outra metade achou que ele estava lá para transar com os travecos, mesmo. Não se chegou à nenhuma conclusão, claro, a não ser de que foi uma grande idiotice da parte dele, em qualquer uma das hipóteses. No fim do papo, alguém levantou a bola e disse que os travecos ‘costumam aplicar esses golpes em turistas, isso é muito comum no Rio’. Questionado sobre como ele sabia disso, o cara gaguejou e confessou que ia muito para o Rio – o que só piorou a sua situação. Depois ele disse que éramos muito ingênuos, o que também não quis dizer nada. Daí veio a pérola: “Ninguém vive de amor em Copacabana”, finalizou. Olhamos um para a cara do outro e reconhecemos que a frase não fazia sentido, mas era boa.

3. Finalmente um assunto cujas opiniões foram unânimes: todos nós concordamos que artistas que dizem ‘um beijo no coração’ são os seres mais ridículos do universo. Em segundo lugar no ranking, segundo o nosso Data-Chope, estão aqueles que agradecem com as mãos juntinhas, como se estivessem rezando, abaixando a cabeça e fechando os olhos. São de morrer.

4. Não sei por que alguém começou a falar sobre cachorros e aí a vítima acabou sendo este que vos fala. Não eu, na verdade, mas meu amado Yorkshire de quatro anos, Mr. Nick Ottina. “Yorkshire não é cachorro, compra um cachorro de verdade, aquilo é um rato, cachorro de gay, etc”, acusaram. Eu discordei, claro, mas isso prova apenas que até pessoas normais como eu podem ter amigos primitivos/trogloditas. O assunto só ficou mais leve quando um dos caras na mesa disse que tem um cachorro chamado ‘Schana’. Ele jurou que o nome já veio com o cachorro, mas não adiantou nada. Foi motivo de riso, o que eu achei muito bom, já que tirou o foco do meu filho Nick Ottina.

5. Um cara que estava na mesa começou a reclamar da mulher (que novidade), dizendo que ela estava muito ‘natureba’, comprando uns óleos estranhos e gastando os tubos em produtos ‘orgânicos’. O cúmulo, segundo ele, era o sabonete de ‘azeite’ que ele encontrou no box do chuveiro. “Saí do banho me sentindo uma pizza”, reclamou. Todos concordaram, menos o vegetariano da mesa, que apoiou a mulher do cara.

Saúde e até a próxima rodada. Garçom, a saideira, por favor!

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