Duran Duran: Simon Le Bon é muito bom

Estadão

24 de novembro de 2008 | 18h59

Simon Le Bon, por JF DIORIO/AE

Na minha época (‘na minha época’ é bom, não?), o Duran Duran era uma banda de caras almofadinhas que tocavam ‘música eletrônica’ sem guitarras ou baterias. Essa impressão é apenas uma prova de que o tempo só melhora nosso gosto.

Fui ao show do Duran Duran na sexta-feira e saí de lá em êxtase. Foi um grande show de rock, com guitarras, bateria acústica e, claro, alguns samplers que sempre fizeram parte do estilo da banda. Mas o que eu achei mais legal é que a banda amadureceu muito bem, como um velho Bordeaux… britânico.

Além de serem excelentes compositores, os integrantes do Duran Duran estão ainda mais carismáticos do que nos anos 80. O baixista John Taylor, por exemplo, continua sendo um dos melhores baixistas do pop/rock, com frases precisas e melódicas; a bateria de Roger Taylor (homônimo do batera do Queen, que toca no mesmo Via Funchal na quarta e quinta) está mais orgânica e menos pausterizada; o teclado de Nick Rhodes está mais contido, elegante; o guitarrista Dom Brown é um músico contratado, mas manda muito bem e acrescentou peso ao som do Duran; e, last but not least (por último mas não menos importante), o grande frontman Simon Le Bon, um vocalista com tudo que um bom vocalista tem que ter: carisma: bom-humor; excelente voz; presença de palco; simpatia (ele cantou Rio com a camisa da Seleção Brasileira que, convenhamos, é a coisa mais clichê do mundo, mas todo mundo adora – inclusive eu) enfim, o cara mandou muito bem. Fora isso, que outro show de pop a gente tem a chance de cantar refrões como ‘Save a Prayer’ ou ‘Come Undone’, ‘Rio’, ‘A View to a Kill’, ‘Notorious’, ‘Wild Boys’ e muitas outras?

Ao contrário daquela moda (que, aliás, graças a Deus acabou) do ‘trash 80s’, o Duran Duran é uma das melhores coisas que a década dos yuppies nos deu. Um brinde ao britânicos dessa safra.

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