Dez anos (e um dia) sem Frank Sinatra

Estadão

15 de maio de 2008 | 18h24

sinatra

Não foi esquecimento, não. É que a morte do guitarrista Wander Taffo me deixou triste e acabei não falando ontem sobre um outro assunto superimportante: os dez anos da morte de Frank Sinatra. Está aí um cara que eu queria ter sido.

Por mais que eu seja eclético, não vou mentir e dizer que sou o maior fã de Sinatra que existe. Reconheço sua importância artística, gosto muito de sua voz e até lembro da histeria geral que ele provocou quando esteve no Brasil para o histórico show do Maracanã, em 1980. (Alguém se lembra do ataque do Beijoqueiro?)

O que eu gosto em Sinatra, no entanto, é a atitude que ele teve durante toda sua vida. Ele sempre foi ‘o’ cara; um pé no lado artístico, o outro nas ruas; as festas com lindas mulheres e o glamour de Hollywood, mas sem nunca esquecer seus amigos de infância e suas raízes italianas. Dizem até que ele inspirou o personagem Johnny Fontane, o cantor-galã de ‘O Poderoso Chefão’ que faz sucesso graças a uma pequena ‘mãozinha’ de Don Corleone (uma pequena mãozinha… numa cabeça de cavalo, alguém se lembra da cena?).

Mas a imagem que me vem mais forte de Sinatra – além do dueto com Bono, do U2, no clipe póstumo de ‘Under My Skin’ – é o retrato literário feito pelo escritor Gay Talese no livro ‘Fama e Anonimato’. A matéria/crônica ‘Frank Sinatra está resfriado’ é um dos textos jornalísticos mais geniais que já li em toda minha vida. Recomendo muitíssimo, não apenas para quem faz jornalismo mas para quem gosta de ler uma excelente história.

Diz a lenda que Talese foi contratado pela revista americana Esquire para fazer um perfil de Sinatra em 1965. Ele foi para Los Angeles para encontrar o cantor, mas assim que chegou lá descobriu que Sinatra não queria falar com ninguém: ele estava resfriado. O escritor não teve dúvidas: conversou com amigos, empresário, ‘namoradas’ e ‘seguranças’ do cantor, e criou um perfil incrível apenas com as opiniões das pessoas próximas a ele. O resultado saiu na edição de abril de 1966 e é considerado uma das obras-primas do ‘New Journalism’ (Novo Jornalismo), estilo que mistura técnicas de repórteres e romancistas. Com o perdão do trocadilho, o texto sobre Sinatra é… um show.

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