Desce mais um, por favor

Estadão

10 de abril de 2008 | 18h08

Quem está acostumado a passar por aqui já sabe o que é ‘papo de boteco’. Quem não está… bem, pode imaginar. Aí vai o último, com a participação de quatro caras e uns 20 e poucos chopes, mais ou menos (depois disso eu parei de contar). Antes que me critiquem, sim, eu estava de carona. Foi um papo rápido, mas acho importantíssimo deixar temas tão importantes registrados. Vamos lá:

1. Um cara da mesa começou a falar sobre uma garota que ele havia conhecido. Disse que ela era linda, gente fina, etc., mas que tinha um pequeno defeito: morava muito longe. Eu perguntei: ‘onde?’ E ele respondeu: ‘É na Zona Leste. Mas é tão longe que dá pra dizer que é na ‘Zona Lost’. Todos riram.

2. Outro cara que estava na mesa é um desses caras com mania de dar nota para tudo. A ‘balada tal é nota 8,5’; a ‘frequência do restaurante X é 8 na hora do almoço, mas 4,5 na hora do jantar’, e por aí vai. Ele tem um jeito muito especial de classificar as garotas com quem sai: faz uma média entre a beleza do rosto e do corpo. Se o corpo for nota 10 e o rosto for nota zero, a garota fica com ‘média 5’ e ‘não passa’. Para ele, a média mínima é 7, mesma média do colégio onde estudou. A mesa ficou dividida: um achou a técnica interessante, outro discordou, e o que sobrou disse que, para ele ficar com uma garota, o mínimo que ela tem que ter são os dentes. Todos concordaram, mas acharam que era um requisito ‘meio baixo’, ou seja, ter os dentes era meio ‘pouco’. O cara viciado em notas ressaltou então que as notas das garotas mudam de acordo com o local e o horário: ‘tal garota é nota 7 à noite numa cidade, mas a nota cairia para 3,5 na praia’, etc. Todos também concordaram.

3. Se um cara começa a falar ‘eu tô legal, eu tô legal’ é porque está bêbado. (Esse não foi um dos papos, foi uma constatação)

4. Tenho um amigo que inventa gírias geniais. Entre elas estão as seguintes expressões/traduções:
Aquela garota tem ‘caixa colocada’: ela tem silicone nos seios
O cara ali é ‘balsa’: Bissexual (atraca dos dois lados)

5. Uma metáfora totalmente machista levantada, claro, por um solteiro da mesa: estar solteiro é como ter um baralho de cartas na mão. Só que, no caso, as cartas são femininas. Às vezes você embaralha um pouco e escolhe uma carta para jogar; às vezes você é obrigado a descartá-la. E, em outras ocasiões, você é obrigado a aceitar o que tem na mão, mesmo não sendo o jogo ideal. Os outros três caras (inclusive eu, claro) acharam a comparação ridícula.

6. Outra pérola do solteiro convicto da mesa. Reclamando que os outros queriam ir embora do bar, ele encheu os pulmões e afirmou, com ar filosófico: ‘Eu vou ficar mais. Um cara solteiro não se rende tão cedo.’ Gênio.

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